A China inaugurou a maior ponte marítima do mundo

A maior ponte marítima do mundo, que liga Hong Kong e Macau a Zhuhai, na província de Cantão, foi inaugurada pelo presidente chinês, Xi Jinping, nesta terça-feira (23). A obra tem 55 km de extensão e engloba trechos de estrada, três pontes, ilhas artificiais e um túnel subaquático. A inauguração acontece com dois anos de atraso e está envolta em escândalos relacionados aos altos custos e fins políticos do projeto.

O complexo projeto de engenharia custou mais de 15 bilhões de dólares e faz parte do plano de desenvolvimento econômico para formar uma megalópole high-tech, batizada de área da Grande Baía, que quer rivalizar com a área da Baía de São Francisco (Silicon Valley), nos Estados Unidos, e a área da Baía de Tóquio, no Japão.

Para a inauguração, o presidente chinês Xi Jinping visitou a província de Cantão pela primeira vez em seis anos. A ponte abre para o público apenas na quarta-feira (24) e deve atender as mais de 60 milhões de pessoas que vivem na região do delta do rio das Pérolas, no sul do país.

As três pontes da estrutura são capazes de suportar ventos de até 340 km/h, segundo a Deutsche Welle. Um túnel de 6,7 quilômetros de extensão, conectado às pontes por duas ilhas artificiais, foi construído para que não houvesse interferência nas rotas do comércio marítimo.

Com a ponte, o tempo de viagem de carro de Hong Kong para Zhuhai cai de 3 horas para meia hora, mas essas cidades ponde passa a obra já são conectadas por linhas regulares de balsas – opção privilegiada para o transporte de passageiros. Por isso, surgem dúvidas sobre qual será o retorno econômico desse gigantesco investimento.

No mês passado, foi inaugurada uma nova linha ferroviária de alta velocidade ligando Hong Kong à China continental. Hong Kong possui ainda uma ligação rodoviária com Shenzhen, China, e outra via metrô, segundo a Rádio França Internacional.

Para atravessar a ponte, será exigida uma habilitação especial, de acordo com a seção a ser utilizada. Além disso, carros privados precisam solicitar uma licença especial para usar a ponte. Ela será utilizada principalmente por ônibus fretados, transporte de cargas e também táxis.

Regiões autônomas

A obra é vista como uma tentativa de Pequim de reforçar o controle e a influência sobre as regiões autônomas chinesas, Hong Kong e Macau. Por isso, é vista com indiferença por muitos em Hong Kong, não apenas em razão dos atrasos e também do superfaturamento da obra.

Após 150 anos como colônia britânica, Hong Kong se vê como politica e culturalmente distante da China continental. Com o retorno da soberania chinesa sobre a região, muitos avaliam que, na última década, houve uma enorme redução das liberdades legais e políticas.

Fonte: O SUL

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