A defesa do empresário Joesley Batista quer arrolar a equipe do ex-procurador Rodrigo Janot como testemunha no Supremo para apurar irregularidades na delação da JBS/Friboi

FONTE: O SUL

Com a decisão do ministro Edson Fachin de abrir procedimento no STF (Supremo Tribunal Federal) para apurar suspeitas de irregularidades na delação da JBS/Friboi – em especial a participação do ex-procurador Marcello Miller –, a defesa do empresário Joesley Batista estuda arrolar integrantes da força-tarefa da Lava-Jato na era de Rodrigo Janot como testemunhas.

O advogado André Callegari não descarta incluir o próprio ex-procurador-geral da República na lista. O promotor Sérgio Bruno, figura outrora proeminente na PGR (Procuradoria-Geral da República), também é opção. Ao todo, quatro advogados atendem os principais delatores da JBS.

Eles devem se reunir na próxima semana para bater o martelo sobre a linha que vão seguir. Callegari já havia arrolado Janot como testemunha no inquérito da PF (Polícia Federal) que acabou imputando a Miller o crime de corrupção.

O advogado de Joesley anda com cópias de entrevistas concedidas por Janot dentro de sua pasta. Nas notícias, o ex-procurador-geral diz que Miller não cometeu crime. A Polícia Federal anotou na conclusão do inquérito sobre o caso que o promotor Sérgio Bruno, da equipe de Janot, soube no início de março que Miller havia fechado com escritório que atuaria para a JBS. No dia 28 daquele mês, a PGR firmou acordo de confidencialidade – passo para a delação – com os Batistas.

Em setembro, depois que a participação de Miller tornou-se um escândalo com a divulgação de grampos em que Joesley falava dele, Janot pediu a rescisão do acordo de delação.

A denúncia

Na denúncia, o MPF (Ministério Público Federal) afirma que Joesley e Francisco de Assis sabiam que Miller ainda era procurador e que integrou a equipe do ex-procurador Rodrigo Janot. Por isso, diz a denúncia, ofereceram vantagem indevida a Miller. De acordo com a acusação, Miller usou conhecimentos e acesso que tinha à Procuradoria-Geral da República para obter informações privilegiadas.

Ele teria começado a receber pelo trabalho em fevereiro de 2017, mas só deixou o cargo oficialmente em abril. O valor de R$ 700 mil, conforme o MPF, foi calculado pelo pagamento das estratégias de negociação e revisão dos anexos. Para o MPF, Miller foi o “estrategista” da delação da J&F. “O preço desse auxílio, calculado pelo escritório TRW (R$ 700.000,00), abrangeu aconselhamentos acerca de estratégias de negociação e revisão dos anexos, além da redação final da proposta que foi apresentada, sob a ótica de um procurador da República que atuava, justamente, nessa atividade de assessoria do PGR e, portanto, tinha nas suas atribuições a celebração de minutas e outros atos no âmbito das tratativas para celebração de acordo de colaboração premiada.”

Isso, segundo o texto, “certamente, na visão dos corruptores, constituiu um fator determinante nessa contratação. Portanto, um procurador da República integrante do grupo da Lava-Jato foi o estrategista dos acordos de colaboração”.

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