Rio de Janeiro - Polícia Federal cumpre mandado de busca e apreensão no escritório do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, no centro da cidade do Rio de Janeiro (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A Operação Lava-Jato atingiu famosos fora do mundo político em 2017.

FONTE O SUL//Após quase quatro anos de atuação, a Operação Lava-Jato atingiu, em 2017, personagens que não fazem parte diretamente do mundo político. Confira abaixo:

Ticiana Villas Boas

Mulher de Joesley Batista, a jornalista se afastou do SBT, onde apresentava reality shows de culinária, após o marido aquecer em fogo alto a República. A delação do sócio da JBS fez a carreira dela desandar e esfriou o casamento dos dois, já que nos áudios ele cometia indiscrições (virou meme o trecho em que relata a intenção de “comer duas veias”). Ticiana ressurgiu nas redes sociais em novembro, falando em “justiça divina” e em buscar “forças para voltar a viver e lutar”.

Patricia Abravanel

Filha de Silvio Santos e mulher do deputado federal Fábio Faria (PSD-RN), a apresentadora foi parar no baú da delação da JBS. Pelo relato de um executivo, Faria discutiu propina em “um jantar muito elegante” na casa de Joesley Batista com a presença da filha do dono do SBT. Os dois dizem que a afirmação é caluniosa e recorreram à Justiça. Ticiana Villas Boas, então colega de Patricia na emissora, defendeu a amiga e disse que elas não presenciaram acerto no tal jantar.

Romero Britto

Retratista de políticos que admira (já fez quadros das famílias Obama e Doria), o pintor das muitas cores viu a Justiça mandar leiloar obras que ele diz ter dado de presente a Sérgio Cabral (PMDB-RJ) e à mulher dele, Adriana Ancelmo. Avaliados em R$ 146 mil, os quadros com o rosto do ex-governador do Rio e da ex-primeira dama e um terceiro, abstrato, estavam na casa de veraneio dos dois, presos após investigações apontarem uma série de desvios. O leilão foi suspenso em setembro.

Benito Di Paula

O cantor soltou a voz para reclamar do “desrespeito” do deputado Carlos Marun (PMDB-MS) por parodiar sua canção “Tudo Está no Seu Lugar”, festejando o arquivamento da segunda denúncia contra Temer, baseada em delação da Lava-Jato. O político, depois nomeado ministro pelo presidente, entoou no plenário da Câmara dos Deputados um verso zombando da oposição. A cantoria, protestou Benito, poderia sugerir que ele estivesse a favor de Temer. “Não tô apoiando porra nenhuma”, disse.

Kiko Zambianchi

De apelido Kiko, o empresário Francisco de Assis Neto, apontado como operador do esquema de corrupção do ex-governador Sérgio Cabral, aparecia nas planilhas de distribuição de dinheiro como “Zambi”. Era uma referência ao músico, que fez ressoar sua raiva com a inspiração do xará. “É uma sacanagem, uma canalhice”, disse o cantor, que avalia até entrar com uma ação na Justiça contra o outro Francisco, preso em uma operação derivada da Lava-Jato.

Celso Kamura

O cabeleireiro já era conhecido por passar suas tesouras nos fios de políticos, mas foi por causa da cliente mais famosa, Dilma Rousseff (PT), que caiu nas navalhas da Lava-Jato. Em sua delação, Mônica Moura, mulher do publicitário João Santana, revelou ter pago com dinheiro de caixa dois R$ 50 mil em serviços de Kamura para Dilma. A ex-presidente disse que é mentira. O cabeleireiro afirmou que recebia pessoalmente da petista e emitia notas fiscais “devidamente declaradas”.

Vampeta

O operador Lucio Funaro disse que comprou do ex-jogador um flat em São Paulo para a enteada do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) morar. Já Cunha afirmou que Funaro deu um cheque só para garantir o negócio, mas não fechou a aquisição – feita depois legalmente, segundo o ex-parlamentar. “Queria ser amigo desses caras, para eles colocarem R$ 51 milhões na minha conta”, disse Vampeta, referindo-se ao bunker de Geddel Vieira Lima (PMDB-BA).

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