Alegando ameaças russas e chinesas e até o risco de uma guerra cósmica, o governo americano anunciou a criação da Força Espacial

Alegando ameaças russas e chinesas e até o risco de uma guerra cósmica, o governo norte-americano anunciou na última quinta-feira (9) a criação da Força Espacial. Se aprovado, o sexto ramo militar do país deve começar a funcionar em 2020 e se somará ao Exército, à Marinha, às Forças Armadas, ao Corpo dos Fuzileiros Navais e à Guarda Costeira. Além de militarizar a exploração espacial — algo proibido por tratados internacionais —, a medida é vista como desperdício por parte de especialistas, que afirmam que o desenvolvimento de tecnologia e estratégias militares para uso fora do planeta já ocorre nas Forças Aéreas.

“A Força Espacial está a caminho”, escreveu no Twitter o presidente Donald Trump.

A Casa Branca detalhou parte da estrutura que o governo pretende criar, mas que ainda precisa de aprovação do Congresso. O último ramo militar criado no país foi em 1947, com a Força Aérea — após o uso de aviões já ter sido decisivo em diversos conflitos, incluindo a Segunda Guerra Mundial.

Liderança

Atualmente, as Forças Armadas americanas têm um contingente de quase 1,4 milhão de pessoas e orçamento anual de US$ 610 bilhões (R$ 2,3 trilhões), que fazem do país a maior potência militar do mundo. A Casa Branca tem pressionado o Congresso a investir mais US$ 8 bilhões em sistemas espaciais de segurança nacional nos próximos cinco anos.

O governo americano informou que será criada uma Agência de Desenvolvimento Espacial para desenvolver uma nova geração de armas espaciais, e que haverá uma aceleração da tecnologia voltada para o espaço. O governo também estabeleceu que será fundado um Comando Espacial dos Estados Unidos, para “planejar e aperfeiçoar guerras espaciais”. O comunicado ainda afirma que a medida é necessária, pois China e Rússia já preparam armas capazes de destruir satélites e novas famílias de mísseis e foguetes.

“Assim como fizemos no passado, os EUA vão enfrentar as ameaças emergentes neste novo campo de batalha”, anunciou o vice-presidente Mike Pence em um discurso no Pentágono, junto ao secretário de Defesa, Jim Mattis.

Anteriormente contrário à criação de um novo ramo militar nos EUA, o chefe do Pentágono afirmou no início da semana que os líderes militares estão agora “alinhados” com a preocupação de Trump de proteger os interesses americanos no espaço. Em dezembro, Trump surpreendeu ao anunciar que a Nasa (agência espacial norte-americana) deveria se preparar para voltar a ter missões tripuladas à Lua e a Marte. Na época, especialistas criticaram a decisão, afirmando que ela seria cara e estaria fora do atual planejamento da agência espacial. Diversas empresas privadas têm projetos de retomar missões humanas a satélites e outros planetas.

Pence afirmou que o governo já está negociando com líderes dos dois partidos a criação do novo ramo militar. A medida gera dúvidas no Congresso. Em comunicado conjunto, os deputados Mike Rogers (republicano) e Jim Cooper (democrata), que comandam a Subcomissão de Serviços Armados da Câmara dos Representantes, elogiaram a decisão do governo: “Estamos contentes que o Pentágono esteja finalmente tomando essas medidas para melhorar nossa força espacial”.

Mas o senador democrata Brian Schatz (Havaí) disse que os republicanos estavam com “muito medo de dizer ao presidente que a ideia era ruim”. “Embora a ‘Força Espacial’ não acontecerá, é perigoso ter um líder que não pode ser demovido de ideias malucas”, tuitou.

Entidades civis começaram a campanha contra o novo ramo militar, que segundo fontes do Pentágono teria “custo neutro”, pois utilizaria recursos que hoje já estão nas outras forças militares. Stephen Ellis, vice-presidente do grupo bipartidário de contribuintes “Common Sense”, escreveu em comunicado que o grupo é contra a criação da Força Espacial. “Criará um incômodo caro e não fará nada para aumentar nosso domínio. Pense nisso: se nós criarmos uma nova agência militar, o Secretário da Força Espacial também terá todos os funcionários e despesas gerais, além de dezenas de generais, oficiais e funcionários. Exceto que já temos o Comando Espacial da Força Aérea, enquanto a Marinha e o Exército também já têm suas próprias operações relacionadas ao espaço.”

O ex-astronauta e capitão aposentado da Marinha americana Mark Kelly disse na quinta-feira que um ramo militar separado dedicado ao espaço era redundante e dispendioso.

“Não faz sentido construir um outro nível de burocracia em um Departamento de Defesa incrivelmente burocrático. É uma área em que devemos continuar nos concentrando, mas podemos fazer isso dentro da Força Aérea”, criticou, à MSNBC.

Fonte: O Sul

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