Cavaleiros percorrem o RS para conduzir chama crioula, símbolo dos festejos farroupilhas.

FONTE G1// Centenas de cavaleiros percorrem campos e estradas do Rio Grande do Sul para conduzir a chama crioula, símbolo das comemorações da Semana Farroupilha. Iniciado há 70 anos, o ritual, que começou em Mostardas, no dia 12 de agosto, chega a durar mais de 30 dias em trajetos que podem passar dos 800 quilômetros, dependendo do destino.

Divididos por regiões do estado, os grupos que conduzem a chama realizam um detalhado planejamento, antes de começar a cavalgada. Primeiro, semanas antes, percorrem o roteiro de carro e acertam os locais de acampamento, geralmente em fazendas e centros de tradições gaúchas.

“Sempre antes, um mês, dois antes, vem uma equipe e vai acertando os locais onde vamos pousar, fazer paradas para o almoço”, explica o aposentado Mercildo Weber, do grupo Cavaleiros do Planalto Médio, de Passo Fundo, que realiza viagem de 577 quilômetros em 17 dias para levar a chama até a cidade.

São 43 homens que se revezam em 30 cavalos. No caminho, figueiras centenárias, campos cheios de gado e banhados. Moradores do lugar se encantam e saem para fora das casas para assistir à passagem dos tradicionalistas.

“Adoro, amo de paixão, muito lindo”, exclama a dona de casa Eva da Silva, do portão de casa.

Quem não monta no animal, fica na equipe de apoio, que conta com caminhões, ônibus e caminhonetes com reboques, onde são trazidos mantimentos e ração para os equinos.

Os tradicionalistas dormem nos veículos de carga ou em colchões improvisados nos locais de pernoite. O despertar é por volta de 6h, com café da manhã reforçado: frutas, sucos, pão, salame, presunto, café e leite.

“O pessoal gasta muita energia”, justifica o cozinheiro do grupo, o aposentado Valmeri Francisco da Silva.

Feita a primeira refeição do dia, chega a hora de encilhar os cavalos. Antes da partida, uma oração. Às 8h, os gaúchos começaram mais uma jornada.

Já a bandeira do Rio Grande do Sul foi levada pelo também músico Érlon Péricles, que aproveitou a cavalgada para gravar cenas de um clipe. A ordem de apresentação dos símbolos é regida por uma lei.

“É a lei federal do posicionamento das bandeiras. Para nós, a chama é considerado o símbolo mais importante, fica ao meio. Depois, a bandeira do Brasil, de ‘maior poder’, fica à direita, e a do Rio Grande do Sul, à esquerda”, explica Airton Timm, responsável por conduzir a bandeira do Brasil.

No caminho, paradas para tomar água e dar um descanso para os cavalos. A parada para o almoço acontece cinco horas mais tarde, no salão da comunidade de Serraria Velha. No cardápio, pão, salada de tomate e bife. Meia hora para um cochilo sobre os pelegos e o grupo segue para o segundo trecho do dia, de 24 quilômetros, até Entrepelado, distrito de Taquara. A chegada a Passo Fundo está prevista para o dia 30 de agosto.

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