Segurança foi reforçada logo depois do ataque, na tarde desta quarta-feira Foto: Júlio Cordeiro / Agencia RBS

Como foram os dois minutos de terror no trensurb

Dezenas de passageiros foram ameaçados de morte, agredidos e roubados entre as estações Rodoviária e São Pedro

 

Às 14h37 de ontem, quando as portas do penúltimo vagão do trensurb que seguia rumo a Novo Hamburgo se fecharam na estação Rodoviária da Capital, um jovem junto a uma das portas do fundo, levantou uma pistola para o alto.

— Todo mundo quieto! Isso é um assalto! É pra todo mundo passar o celular – ordenou.

A arma não era de verdade, mas ninguém sabia disso nos dois minutos seguintes, tempo que durou o arrastão — nunca registrado antes em um trem da empresa.

Pelo menos outros oito comparsas o acompanhavam. Nos 2km até a estação São Pedro, no Bairro São Geraldo, os passageiros foram agredidos, jurados de morte e roubados.

Passageiro é baleado dentro de ônibus no centro da Capital

— Apontaram a arma para a minha cabeça e mandaram entregar o celular. Entreguei, mas o telefone caiu no chão. Ele não se abaixou. Puxou com o pé para outro pegar — contou uma das passageiras, de 50 anos, que voltava do Instituto de Cardiologia.

Ao lado, a sobrinha, de 37 anos, via a tia passar mal e temia por um enfarto.

— Na nossa frente, um rapaz se negou a entregar. Foi agredido, levou coronhadas. Enquanto isso, criança chorando, mulher grávida assustada — lembra.

FGTS na bolsa

Próximo dela, uma mulher de 43 anos tinha todo o valor do FGTS que havia sacado na bolsa. Conseguiu esconder parte do dinheiro entre ela e o assento. Levaram cerca de R$ 100 e o telefone.

— Imagina eu, desempregada, e ainda sem o FGTS. Graças a Deus que consegui esconder — disse ela.

Operação desarticula quadrilha especializada em roubo de veículos na Região Metropolitana

Na estação São Pedro, o grupo deu a ação por encerrada com  uma ameaça:

— Ninguém sai! Senão, a gente volta e atira em todo mundo!

Em uma situação como essa, o capitão Gustavo Fávero Prietto, do BOE, recomenda não reagir e entregar o que tiver o mais rápido possível.

População ajuda BM na captura

Soldados da 4ªCia do 9ºBPM, iniciaram o cerco aos fugitivos. Contaram com a ajuda da população. Um motorista de ônibus e outras pessoas na rua apontavam direções por onde jovens teriam fugido.

— Conseguimos deter dois na Avenida Polônia. Outros dois, na Avenida Guido Mondin — conta o soldado Alderi Guedes.

Dois tinham 16 anos e foram levados ao Deca. Os outros dois presos, identificados como Alef Willian Castro da Silva, 21 anos, e Hyoran Garcia de Oliveira, 22 anos, foram levados à 3ª DPPA. Outros três suspeitos foram presos à noite. A Brigada apreendeu com os primeiros suspeitos 16 celulares, uma mochila, R$ 76,80 em dinheiro, além de uma imitação de pistola.

“Levaram todo o dinheiro que era para pagar a parcela da minha casa”

Ações a serem reforçadas na região

Segundo o gerente de Operações da Trensurb, Júlio César Brandi Castro, o embarque da gangue foi percebida na estação Mercado, e a BM foi alertada logo após a fuga. Ele afirma que nunca um ataque como esse havia ocorrido.

O capitão Gabriel Damasio, da 4ªCia do 9ºBPM, afirma que as ações na região estão aumentando.

— É prioridade. Acreditamos que eles integrem um grupo que assalta ônibus na Capital — diz Gabriel.

fonte: Diário Gaúcho

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *