De olho nos eleitores de Lula, o presidenciável Ciro Gomes abandonou o estilo moderado e intensifica a aposta na Região Nordeste

O tom moderado utilizado pelo candidato do PDT à sucessão presidencial, Ciro Gomes, para atrair o voto de eleitores indecisos não durou um mês. Na tentativa de ocupar o vácuo eleitoral deixado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, barrado na semana passada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o candidato voltou a adotar estilo agressivo.

A estratégia tem sido a de polarizar o debate eleitoral com Jair Bolsonaro (PSL) e Geraldo Alckmin (PSDB). Com isso, tenta se apresentar como um nome mais competitivo e qualificado no campo da esquerda do que o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad, vice na chapa do PT e provável substituto de Lula caso este último desista oficialmente de seu discurso de que ainda é candidato.

Em paralelo, o candidato tem aproveitado a demora na oficialização do substituto de Lula, que deve ser feita apenas na terça-feira da semana que vem, a fim de iniciar um périplo pelo Nordeste, principal reduto eleitoral do partido.

E a partir desta quinta-feira, ele pretende visitar seis Estados: Pernambuco, Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Sergipe e Paraíba. Nas viagens, quer fazer corpo a corpo com potenciais eleitores e caminhadas em áreas urbanas.

Pesquisa interna encomendada pela equipe de campanha mostrou potencial de crescimento de Ciro sobre eleitores de Lula, sobretudo diante do desconhecimento de Haddad entre parcela da população.

Haddad

O esforço é de justamente virar votos a favor de Ciro antes que a estrutura petista intensifique a vinculação direta entre Lula e Haddad no material regional de campanha eleitoral.

Apesar da vontade de Haddad de ser lançado imediatamente como o candidato, Lula ainda insiste na defesa de sua própria candidatura. A demora tem limitado a atuação do petista.

Na semana passada, Ciro já começou a testar um discurso crítico a Haddad. “Como é que alguém acha que um camarada desse, com 15 dias da eleição, vai virar presidente? Se isso der certo, não dá certo”, disse em entrevista à imprensa.

Ataques

O abandono do estilo moderado também teve início na semana passada. Às vésperas do julgamento de Lula na Justiça Eleitoral, ele chamou Bolsonaro de “projetinho de Hitlerzinho tropical” e chamou seus eleitores de “inimigos da pátria”

Os ataques se intensificaram nesta semana durante sabatinas promovidas em São Paulo. Ele disse que Alckmin “deixa roubar” e que ele, Ciro, não faz parte “dessa esquerdinha boboca que fica alisando bandido”.

A mais recente pesquisa de intenções de voto realizada pelo instituto Datafolha, divulgada na semana retrasada, mostrou que Lula teria 39% da preferência do eleitorado. Com Haddad como candidato petista, esse índice cairia drasticamente para 4%.

Fonte: O Sul

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