Hospitais têm atendimento prejudicado devido à paralisação de caminhoneiros no RS

FONTE CORREIO DO POVO//A paralisação de caminhoneiros, que protestam contra o preço do diesel em todo o país, começa a afetar o atendimento de hospitais no Rio Grande do Sul. A Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos, que representa 269 instituições de saúde no estado, informou que alguns serviços, especialmente eletivos, podem sofrer alterações, adiamentos ou até cancelamentos.

De acordo com a entidade, ainda não se sabe quantos hospitais enfrentam problemas relacionados ao desabastecimento, mas vários já relataram dificuldades. A greve chega ao quinto dia nesta sexta-feira (25).

Algumas empresas que transportam medicamentos para o estado já sinalizaram com a impossibilidade de cumprir prazos de entregas em função da greve dos caminhoneiros. Porém, a situação ainda não impactou na rotina de fornecimento de medicamentos dentro do Rio Grande do Sul.

Na tarde desta sexta (25), caminhões carregados com oxigênio foram liberados para abastecer instituições.

Os estoques de sangue ainda estão normais no Hemocentro, mas, preventivamente, estão sendo liberados somente para casos de urgência.

Veja os reflexos em algumas instituições no estado:
Porto Alegre e Região Metropolitana
Na capital gaúcha, o Hospital de Clínicas, ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tem falta de alimentos, especialmente os perecíveis, e de sangue, devido à dificuldade de chegada tanto dos caminhões que abastecem o estoque de comida quanto de pessoas para fazer doação.

Nesta sexta (25), o cardápio das refeições servidas à comunidade no refeitório já teve redução de alguns itens. A instituição ressalta, ainda, que essa medida é indispensável para que seja possível manter a alimentação prescrita aos pacientes com o mínimo de alterações.

O hospital chegou a registrar problemas no abastecimento de oxigênio, mas a situação foi normalizada na noite de quinta-feira (24), com a chegada dos fornecedores à instituição.

Porém, o Clínicas está precisando com urgência de doação de sangue de todos os tipos. A instituição que recebe, em média, 40 doadores por dia, agora está recebendo apenas cinco. O hospital fica na Rua Ramiro Barcelos, n° 2.350.

Na Região Metropolitana, o Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas, suspendeu as cirurgias eletivas. O cardápio no refeitório dos funcionários também teve redução de alimentos, devido à falta de alguns produtos.

Em São Leopoldo, o Hospital Centenário suspendeu as cirurgias eletivas até a próxima sexta, dia 1º de junho.

Interior
No Hospital Pompéia, em Caxias do Sul, na Serra, sessões de oncologia estão sendo adiadas pelo atraso na chegada de medicamentos.

“O hospital mantém seu volume assistencial, com cirurgias eletivas e serviços de emergência normais. Mas enfrentamos problemas com dois pontos específicos, que são as medicações oncológicas e os filmes radiológicos, que não estão chegando”, disse o superintendente-geral do Hospital Pompéia, Francisco Ferrer.

Na mesma região, o Hospital Nossa Senhora da Oliveira, em Vacaria, cancelou todas as cirurgias eletivas. Segundo a instituição, há estoque de oxigênio somente até domingo (27).

O Hospital Universitário mantido pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG) suspendeu as cirurgias eletivas que estavam agendadas. Elas serão remarcadas.

No Hospital Bruno Born, em Lajeado, no Vale do Taquari, algumas cirurgias começaram a ser remarcadas nesta sexta (25), devido à falta de material. Outro problema enfrentado pela instituição é o gás de cozinha, cujo estoque deve durar apenas o fim de semana caso não seja abastecido.

O Hospital de Caridade de Santa Maria, na Região Central, suspendeu o agendamento de cirurgias. Ao menos 200 procedimentos já estão programados e os pacientes devem confirmar com o hospital ou com os médicos se existe material para realizar as cirurgias. Algumas podem ser adiadas porque a prioridade é manter insumos suficientes para procedimentos de urgência e emergência.

Na mesma região, o Hospital de Caridade de Santiago também suspendeu as cirurgias eletivas. Ao todo 20 procedimentos foram adiados e novos não estão sendo marcados. A medida é para garantir que o hospital tenha material para as cirurgias de urgência e emergência.

Em Cachoeira do Sul, o Hospital de Caridade e Beneficência relatou problemas de abastecimento de gás de cozinha. A instituição já está utilizando estoque de segurança de materiais e medicamentos e buscando alguma alternativa de aquisição em distribuidoras próximas.

O Hospital Dr. Oswaldo Diesel, em Três Coroas, atende apenas urgências e emergências, e as internações só estão sendo feitas com pacientes graves. Soro fisiológico e oxigênio líquido já estão abaixo do nível de segurança.

Em Parobé, o Hospital São Francisco de Assis pede aos usuários que procurem o hospital em caso de extrema necessidade, pois em função da paralisação dos caminhoneiros e da falta de combustíveis, as entregas ao hospital estão prejudicadas. A instituição também informou dificuldade de acesso de alguns profissionais ao hospital.

No Hospital de Igrejinha, foram canceladas cirurgias bucomaxilofaciais. Algumas foram agendadas para o fim de semana e outras somente no início da semana que vem.

O Hospital de Caridade de Crissiumal, no Noroeste, cancelou os atendimentos eletivos e afirma ter dificuldades com materiais e medicamentos.

Já a prefeitura de Erechim, no Norte do estado, suspendeu exames laboratoriais eletivos, aqueles casos que não há emergência, e transporte de pacientes para outras cidades. A medida começa a valer no sábado (25).

Segundo a administração municipal o Hospital Santa Terezinha, que faz esses procedimentos, teme pela falta de insumos. Cerca de 2 mil exames devem deixar se ser feitos por dia.

Na próxima semana, caso a paralisação tenha continuidade, outras ações devem ser anunciadas.

Os hospitais da Cidade, em Passo Fundo, Ana Nery, em Santa Cruz do Sul, e Panambi, em Panambi, já registram falta insumos, mas os atendimentos seguem normalizados. Já no Hospital Vida e Saúde, em Santa Rosa, ambulâncias buscam materiais e a instituição avalia a possibilidade de cancelamento de cirurgias eletivas agendadas para a próxima semana.

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