Justiça manda soltar vereador de Novo Hamburgo preso por porte de arma e suspeita de envolvimento em homicídios.

FONTE G1//A Justiça determinou a soltura do vereador de Novo Hamburgo preso na última sexta-feira (6) por suspeita de ser o mandante de quatro homicídios ocorridos em julho, e também por participação em uma quadrilha ligada ao tráfico de drogas. Na casa de Emerson Fernando Lourenço (Solidariedade) foi encontrado um revólver furtado, o que resultou na prisão em flagrante.

Procurado pelo G1 no sábado (7), o advogado do vereador Eduardo Pivetta Boeira reforçou que não vai comentar a soltura nem prisão.

A decisão foi tomada no sábado (7) pelo desembargador Sérgio Miguel Achutti Blattes. No despacho, ele observou que o vereador estava por mais de 24 horas na Delegacia de Pronto Atendimento (DPPA) “sem qualquer manifestação da autoridade coatora sobre a necessidade de segregação cautelar do paciente”.

Com base na lei 12.403, o desembargador observou que o juiz deverá “deverá relaxar a prisão ilegal ou converter a prisão em flagrante em preventiva”. Blattes entendeu ainda que a prisão preventiva tem “natureza excepcional” utilizada em casos de “concreta situação de perigo” gerada pela liberdade do agente. E exemplifica os casos: “[se] solto ameaçará testemunhas, tentará se evadir do distrito da culpa, ocultar-se da Justiça ou, ainda, tentará prejudicar a instrução criminal.”

“Na hipótese em análise, considerando a ausência de decisão judicial a amparar a prisão do paciente, não resta alternativa senão a concessão parcial da liminar. Assim, conforme já referido, considerando as circunstâncias fáticas do caso, tenho como adequada e suficiente, na hipótese em comento, a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares.”

Entre as medidas cautelares está o comparecimento mensal do vereador para informar e justificar suas atividades, pelo período de seis meses, proibição de deixar a região sem prévia autorização judicial, e manter atualizado endereço e telefone.

Vererador também é empresário de jogadores de futebol

Conforme o delegado Rodrigo Zucco, Lourenço passou a liderar uma facção criminosa após a prisão do então líder do grupo, em 2011. Em 2016, entrou na carreira política após ser eleito como vereador em Novo Hamburgo, com o codinome Fernandinho. A partir deste ano, passou a integrar duas comissões, uma delas de Direitos Humanos.

“Ele já possui passagem pela polícia, cumpriu há mais de 10 anos pena por assalto, tráfico de drogas e outros crimes. Ele tem um passado delituoso”, observa o delegado.

O vereador também atuava como empresário de um jogador profissional do Grêmio e de dois jogadores da categoria de base do Internacional, segundo Zucco, que está preservando o nome deles.

Na mesma operação, um foragido da Justiça por também foi preso. O homem, de 34 anos, é suspeito de matar duas pessoas, e tem condenação de 12 anos por homcídio. Na sexta-feira, a polícia cumpriu sete mandados de busca e apreensão em Novo Hamburgo e Campo Bom.

Em uma casa em Novo Hamburgo, foi apreendido um Volkswagen Golf. Também foi localizado uma grande quantidade de dinheiro, em notas e moedas de baixo valor, o que, para o delegado, indica dinheiro de tráfico de drogas.

As investigações levaram quatro meses. A polícia chegou até o vereador a partir de inquéritos que apuravam os homicídios.

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