Médico que era prefeito no Ceará é afastado após denúncias de abuso sexual a pacientes

FONTE: O SUL

A Câmara de Vereadores de Uruburetama, no interior do Ceará, realizou sessão extraordinária nesta segunda-feira (15), para votar o afastamento do prefeito José Hilton de Paiva. O chefe do Executivo municipal é acusado de abusar sexualmente de diversas pacientes. Os nove parlamentares presentes decidiram afastá-lo do cargo por 90 dias. nesta terça (16), o vice-prefeito, Artur Wagner Vasconcelos Nery, deve ser convocado para assumir o cargo.

Neste domingo (14), uma reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, mostrou diversos vídeos em que o homem aparecia abusando das mulheres. Por este motivo, os vereadores retornaram do recesso, para debaterem a situação do então prefeito do município. Os parlamentares Cristiane Cordeiro Costa, filha do prefeito, e Alexandre Wagner Albuquerque Nery, filho do vice-prefeito, não participaram da votação, por se declararem suspeitos pela proximidade com José Hilton.

A população se manifestou em frente à Câmara, pedindo o afastamento do prefeito e celebrou a decisão tomada com fogos de artifício.

Os casos

O prefeito de Uruburetama, que também atuava como ginecologista e clínico geral, foi acusado de cometer uma série de abusos sexuais, por onze mulheres, que foram suas pacientes. José Hilson de Paiva praticava os crimes há décadas, de acordo com a reportagem exibida neste domingo.

Os abusos teria acontecido entre 1986 e 2018, e uma das vítimas teria sido abusada pela primeira vez aos 14 anos. Ela contou, para o repórter, que mesmo depois do acontecido continuou consultando com o ginecologista, pois ele era o único que atendia na cidade. Durante o atendimento, ele chegou a realizar a conjunção carnal com algumas mulheres, dizendo que precisava “desvirar” o útero destas.

Em outros casos, ele chupava o bico do seio das pacientes, afirmando ser parte do procedimento médico para tirar a secreção. Uma outra mulher foi obrigada a fazer sexo oral com ele: “Ele me mandou ficar com a boca aberta, a língua para fora e os olhos fechados. Quando eu percebi, ele tinha colocado o pênis dele na minha boca”, ela relatou. Ao entrar na sala do médico, ele solicitava que elas tirassem toda a roupa. Além dos atos, ele costumava esconder uma câmera no consultório, onde captava imagens das mulheres nuas.

O prefeito foi ouvido pelo Ministério Público e pela reportagem, onde afirmou nunca ter feito “nada forçado” e que as acusações seriam “jogada da oposição” para derrubá-lo. As primeiras denuncias contra o abusador teriam sido realizadas na década de 1980, mas não resultaram em condenação. Outras mulheres, também vítimas, relataram que, por ele ser prefeito, elas temiam que ele as prejudicasse em seus empregos no serviço público.

Quando ele foi eleito, em 2016, recebeu 76% dos votos. O consultório particular dele ficava dentro da própria casa do médico, mas ele também atendia no Hospital Municipal da cidade. Como ele era o único profissional da área no município, muitas mulheres eram abusadas e não entendiam a gravidade do ocorrido: “Nunca tinha ido em consulta nenhuma. Não sabia como funcionava. Se ele estava dizendo que era daquela maneira, eu tinha que acreditar”, contou uma das entrevistadas.

Os vídeos filmados por ele comprovam os crimes, pois ele aparece tocando o corpo das mulheres, introduzindo o pênis ou chupando os seios das vítimas. Representantes da Associação Médica Brasileira, que analisaram as imagens, afirmaram que os procedimentos não são comuns na prática da profissão, e que são considerados crimes. O homem afirmou que irá levar o caso ao Ministério Público para checar a veracidade dos fatos.

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