Ministério Público Federal identifica autor de movimentação de 20 milhões de reais em empresa do coronel Lima

FONTE: O SUL
O braço da Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro identificou Antônio Carlos Correia da Silva como a pessoa que tentou transferir, em outubro, R$ 20 milhões de uma empresa de João Baptista Lima, o coronel Lima, amigo do ex-presidente Michel Temer. A tentativa de depósito foi revelada pelo MPF (Ministério Público Federal) no pedido de prisão de Michel Temer, do ex-ministro Moreira Franco e de Lima na Operação Descontaminação. As informações são do jornal O Globo e do portal de notícias G1.

Segundo depoimento, Antônio Carlos, que é gerente financeiro da Argeplan, pediu a abertura de contas para duas empresas: a PDA Projeto e Direção Arquitetônica e a PDA Administração e Participação Ltda., ambas controladas por Lima. Ele também teria tentado abrir uma conta para Carlos Alberto Costa, outro sócio da Argeplan.

A gerente do banco, Silvana Alves de Souza, diz que a agência recusou a abertura das contas porque a Argeplan está sendo investigada. Coronel Lima é um dos controladores da empresa. Ela conta ainda que Antonio Carlos recebeu a informação no dia seguinte, recolheu a documentação e foi embora.

A unidade do Santander fica a 350 metros da sede da Argeplan. Inicialmente, o relatório do MPF indicava que um homem desconhecido tentou fazer o depósito de R$ 20 milhões, em outubro do ano passado. No mesmo período, outro banco, o Bradesco, determinou que Lima encerrasse suas contas na instituição, por restrições impostas pelo compliance da empresa. O extrato de uma das contas jurídicas de Lima no Bradesco mostra que o coronel tinha exatamente R$ 20,3 milhões em caixa.

O gerente da Argelpan foi questionado no banco sobre a origem do dinheiro e disse que era apenas o procurador. Ele afirmou ainda que “o sócio Lima” poderia prestar informações sobre a origem dos valores.

A movimentação foi informada, inicialmente, em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que não identificava o autor. Depois, o próprio Coaf apontou Antônio Carlos como o responsável.

Defesa

A defesa de João Baptista Lima Filho e de Carlos Alberto Costa declarou que a retificação das informações pelo Coaf mostra que não houve qualquer tentativa escusa de depósito de valores em espécie e que existiu apenas contato com o banco para possível abertura de conta e consequente transferência formal de valores de origem lícita que já se encontravam depositados em outra instituição financeira.

A defesa de Michel Temer afirmou que essa versão afasta qualquer possibilidade de caracterização de crime de lavagem de dinheiro – o qual, se houvesse ocorrido, teria de ser apurado em São Paulo, não no Rio de Janeiro. E que o ex-presidente não é e nunca foi sócio da Argeplan, sendo improcedente imputar a ele algo que poderia ter sido praticado por alguém da empresa.

Procurado em sua casa, Antônio Carlos não foi encontrado, segundo o G1. A irmã dele disse que ele começou a trabalhar na Argeplan em 2014, que ficou indignado quando a história do dinheiro surgiu e que ele quer ser ouvido.

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