Brasília - DF, 18/08/2016. Presidenta Dilma Rousseff durante entrevista para agências internacionais no Palácio da Alvorada. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

“Não vou me furtar a participar da luta”, disse a ex-presidente Dilma Rousseff ao confirmar a sua candidatura ao Senado

FONTE: O SUL

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) confirmou a sua pré-candidatura ao Senado em reunião na quinta-feira (28) com dirigentes e deputados petistas para costurar a campanha em Minas Gerais. Dilma afirmou que se dispôs a concorrer diante do que aconteceu com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mencionando desrespeito ao direito de presunção de inocência e manipulação das instâncias jurídicas.

Lula está preso em Curitiba desde abril após ser condenado na Lava-Jato. “Quando isso acontece, cada um de nós tem seus direitos comprometidos. Eu não vou me furtar a participar de uma luta que eu julgava que eu não mais participaria do ponto de vista eleitoral”, disse Dilma.

“No Brasil, hoje essas eleições são muito importantes, porque podem interromper um processo de golpe, de deterioração das condições econômicas, políticas, sociais e até civilizatórias. Nós temos que nos reencontrar. O País precisa desse processo eleitoral”, completou.

Segundo a ex-presidente, em Minas mais uma vez dois projetos para o País serão confrontados, um de combate à desigualdade e outro de retrocesso de direitos: “É por isso que temos que voltar”. Dilma também afirmou que “não vai dar moleza para a imprensa”, a quem acusou de pactuar com o impeachment. “Não pensem que eu esqueci não. Eu sei a campanha misógina e machista que fizeram contra mim.”

Ela ainda defendeu a presidenciável Manuela D’Ávila (PCdoB) pelas interrupções que sofreu no programa Roda Viva. “Não pensem vocês que eu aceito aquelas condições que impuseram à Manuela. Não admito que aquilo seja chamado de imprensa livre em um País decente como o nosso.”

Dilma afirmou que marcará um evento de lançamento de campanha. “Estou disposta a participar aqui do processo eleitoral e estou colocando minha candidatura ao Senado”, destacou. A partir da reunião, também começam a ser definidas agenda, viagens e equipe de campanha.

É a primeira vez que Dilma se reúne com o partido para tratar oficialmente da pré-candidatura. O governador Fernando Pimentel (PT) estava presente. A candidatura de Dilma é considerada favorita em Minas, Estado onde ela derrotou o senador Aécio Neves (PSDB) em 2014. Se ele se candidatar à reeleição, se enfrentarão novamente.

No último dia permitido pela Justiça Eleitoral para futuros candidatos alterarem seu domicílio, em 6 de abril, Dilma transferiu seu título para Minas, sua terra natal, embora a trajetória política esteja ligada ao Rio Grande do Sul.

Na época, ela não confirmou a candidatura, costurada a pedido do ex-presidente Lula, mas disse que participaria da campanha eleitoral de qualquer forma e que transferiu o domicílio para cuidar da mãe idosa, moradora de BH. Dilma esteve em ato do PT em Juiz de Fora e no lançamento da pré-candidatura de Lula em Contagem, onde foi recebida aos gritos de senadora. Os ex-ministros Patrus Ananias, Eleonora Menecucci e Alexandre Padilha estão auxiliando Dilma na campanha.

Oposição

Já em resposta a críticas de opositores, Dilma afirmou que não deixou Minas porque quis e encerrou a entrevista à imprensa citando Milton Nascimento: “Sou do mundo, sou Minas Gerais”. “Podem falar o que quiserem, eu nasci aqui. Eu saí daqui porque eu fui perseguida pela ditadura militar”, afirmou.

Anunciado pré-candidato ao Senado na chapa de Antonio Anastasia (PSDB) nesta quinta, o ex-deputado estadual Dinis Pinheiro (SD) classificou a vinda de Dilma como oportunismo e agressão à inteligência de Minas. “A vida política tem que ser feita por princípios e não por conveniência. O mineiro vai rechaçar isso com veemência. Mineiro vai eleger o mineiro.”

“A história dela foi construída no Rio Grande do Sul. Esse negócio de candidatura arrumada de última hora não funciona aqui. Aqui não é Amapá, não é nenhuma senzala, nenhum curral eleitoral”, salientou, fazendo referência ao ex-presidente José Sarney (MDB), que mudou o domicílio eleitoral para o Amapá para viabilizar uma vaga no Senado.

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