Sessão Solene para homenagem aos 50 anos do MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho). Na foto, João Carlos Paixão Cortes

O tradicionalista Paixão Côrtes é velado no Palácio Piratini

O velório de Paixão Côrtes, que faleceu na tarde desta segunda-feira (27) aos 91 anos, em Porto Alegre, ocorre no Salão Negrinho do Pastoreiro do Palácio Piratini. O governador José Ivo Sartori ofereceu à família as dependências oficiais como forma de demonstrar a importância do maior tradicionalista gaúcho e a admiração do povo por ele. Também foi decretado luto oficial por três dias

Folclorista, escritor, compositor e radialista, seu trabalho como pesquisador marcou a cultura gaúcha e por isso foi homenageado diversas vezes em vida. Ele estava internado há mais de um mês no HED (Hospital Ernesto Dornelles), desde 18 de julho, em Porto Alegre.

João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes, nasceu em Santana do Livramento no dia 12 de julho de 1927. Tem suas heranças ligadas à vida pastoril. Formado em Agronomia, se tornou pesquisador, compositor, radialista e folclorista Paixão Côrtes é um personagem decisivo na cultura gaúcha e no movimento tradicionalista no Rio Grande do Sul.

Em agosto de 1947, em Porto Alegre, jovens estudantes, vindos do meio rural, de diferentes classes sociais, liderados por Paixão Côrtes, criaram um Departamento de Tradições Gaúchas no Colégio Júlio de Castilhos, com a finalidade de preservar as tradições gaúchas, mas também de desenvolver e proporcionar uma revitalização da cultura rio-grandense, interligando-se e valorizando no contexto da cultura brasileira. Dentro deste espírito é que surge a criação da Ronda Crioula, estendendo-se do dia 7 ao dia 20 de setembro, as datas mais significativas para os gaúchos. No ano seguinte, em 1948, organizou e fundou o CTG 35.

Paixão Côrtes começou a publicar suas primeiras obras sobre a cultura gaúcha em 1950, com Lendas Brasileiras. Paralelamente, entre diversas atividades, atuou como radialista no programa Festa de Galpão, em 1953. Também nesse ano fundou o conjunto folclórico Tropeiros da Tradição e, dois anos depois, estreou o programa de rádio Grande Rodeio Coringa, tornando-se grande orador.

Em 1956, Paixão publicou Manual de Danças Gaúchas, com Barbosa Lessa. Graças à pesquisa por eles realizada, a cantora Inezita Barroso gravou as músicas tradicionais gaúchas Chimarrita-balão, Balaio e Xote Carreirinha, entre outras. O pesquisador também teve carreira internacional: apresentou-se no Olympia de Paris, na Sorbonne, no Hotel de Ville e no Teatro Alhambra.

Em 1960, o folclorista publicou Terno de Reis e Folclore Musical e, no ano seguinte, Vestimenta do Gaúcho. Em 1961, lançou Gaúchos de Faca na Bota e gravou o disco Folclore do Pampa. Em 1964, marcou presença na Feira Mundial de Transportes e Comunicação, em Munique, Alemanha. No mesmo ano, ainda recebeu o prêmio de Melhor Cantor Masculino de Folclore do Brasil.

O tradicionalista também publicou estudos sobre religiosidade popular, em especial a obra Reses, em 1979. No ano seguinte, lançou o livro Festas Juninas e dos Santos Padroeiros, republicado em 1982. Ao longo desse tempo, aprimorou seu método antropológico de pesquisa, baseado na etnografia, gravando e fotografando as manifestações de religiosidade popular das cidades que visita. As obras de Paixão se sucedem: Falando em Tradição & Folclore Gaúcho, 1981; Natal Gaúcho e dos Santos Reses, 1982; e Folias do Divino, 1983.

Luto oficial

O governador José Ivo Sartori e o prefeito Nelson Marchezan Júnior decretaram luto oficial por três dias, a partir desta segunda-feira.

“Paixão deixou um legado para todos nós. Através de seu trabalho pioneiro de resgate da cultura, hoje as tradições gaúchas estão presentes em diversos países”, declarou o prefeito Nelson Marchezan Júnior.

“A bandeira do Rio Grande do Sul está a meio mastro para marcar a despedida do querido Paixão Côrtes, que tanto honrou e representou a alma gaúcha “, dizia a postagem do governador José Ivo Sartori no Twitter.

A Câmara de Vereadores lembrou, em sua nota de pesar, que o tradicionalista era Cidadão de Porto Alegre, título concedido em 1997. “Paixão Côrtes foi figura constantemente homenageada e lembrada pelo Legislativo da capital dos gaúchos, que lhe concedeu também o Troféu Câmara Municipal de Porto Alegre”, diz o texto.

Notas de Inter e Grêmio

O Grêmio e o Inter se manifestaram em notas sobre a morte de Paixão Côrtes nesta segunda-feira.

O Inter, clube que tinha Paixão Côrtes como torcedor e cônsul cultural, publicou na nota um texto do tradicionalista sobre sua paixão pelo clube. Já o Grêmio publicou em seu twitter um reconhecimento sobre a importância de Paixão Côrtes no tradicionalismo.

Fonte: O Sul

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