Porto Alegre, 25/11/2015 SMS, através da CGVS, escorpiões Local: Sede CGVS Foto: Cristine Rochol/PMPA

Os ataques de escorpiões aumentaram 80% nos últimos cinco anos no Brasil

FONTE: O SUL

Certas espécies de escorpião se reproduzem sem a presença de um macho, isto é, via partenogênese. Basta um único indivíduo para que em poucos meses a população chegue a dezenas ou centenas de indivíduos. Com os sucessivos recordes de temperatura alta (o metabolismo dos escorpiões aumenta no calor), o aumento de construções irregulares e de entulho (que servem de abrigo para os bichos) e a quantidade abundante de alimentos (eles adoram comer baratas, por exemplo), seria natural que houvesse mais desses animais por aí. Resultado: nos últimos cinco anos, o número de envenenamentos por escorpião no Brasil cresceu de 78 mil para 141 mil, um aumento de 80%.

As informações são do jornal Folha de S.Paulo. No País, há mais de 170 espécies de escorpião, mas só algumas, como o Tityus serrulatus, o escorpião-amarelo, têm relevância do ponto de vista da saúde pública. Em 2017, foram contabilizadas 143 mortes causadas por escorpiões, mais da metade do total dos ataques fatais de animais peçonhentos (278). Ou seja, para a saúde humana, faz mais sentido se preocupar com esses aracnídeos do que com serpentes, águas-vivas, lagartas ou abelhas.

Quatro em cada 10 mil pessoas picadas morrem. “Se a gente se guiar apenas pela estatística, o dado não parece ser tão relevante, mas o escorpianismo é um agravo importante porque a maioria das mortes acontece em crianças e muito rapidamente, em algumas horas”, afirma a médica Fan Hui Wen, gestora de projetos do Instituto Butantan.

A maior parte dos casos é resolvida apenas com a higienização do local e, eventualmente, com o uso de anestésicos e analgésicos em um serviço de saúde. Eventualmente, em casos mais graves, pode ser crucial o uso de soro antiescorpiônico. Esse soro é fabricado da mesma forma que aquele que é utilizado contra o veneno de serpentes, a partir da imunização de cavalos e posterior purificação de seu plasma, processo conhecido como aférese.

Atualmente, a principal medida preventiva é a captura dos bichos, que adoram cemitérios, esgotos e barracos. Uma técnica que trabalha em Jundiaí, no interior de São Paulo, relatou já ter coletado 750 escorpiões em uma só noite, em um cemitério. O trabalho é feito com a ajuda de luz UV, que faz os bichos brilharem no escuro. As coletas têm de ser periódicas.

Para quem achar um escorpião em casa, o ideal é capturá-lo com o auxílio de um pote, cobrindo-o depois com papelão. Para matá-lo, basta imergir em álcool 70%. E cuidado: se achar um, pode haver outros no local.

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