Os deputados federais que disputaram a reeleição receberam oito vezes mais recursos do fundo eleitoral do que os candidatos novatos

FONTE: O SUL

A distribuição dos recursos do fundo eleitoral, criado em 2017 para financiar as campanhas políticas do País, privilegiou os candidatos a deputado que já tinham mandatos e disputavam a reeleição. Levantamento feito pelo jornal Folha de S.Paulo aponta que, dos 8.588 candidatos a deputado federal que disputaram a eleição deste ano, apenas 3.967 receberam recursos do fundo eleitoral de seus respectivos partidos.

Entre os candidatos que receberam repasses, os deputados federais que disputaram a reeleição obtiveram, em média, oito vezes os recursos do fundo eleitoral recebidos pelos demais postulantes ao cargo. Ao todo, os partidos distribuíram R$ 794,2 milhões a candidatos a deputado federal, sendo que 46% desse valor foi repassado a 369 candidatos à reeleição – média de R$ 1 milhão para cada um.

Os outros 54% foram repassados a 3.598 candidatos que ocupavam outros cargos ou não tinham função pública na época da eleição. Cada um, em média, ficou com R$ 113,4 mil do fundo eleitoral. Com maior fatia no fundo, partidos como MDB, PP e PT estão entre os que mais aplicaram recursos para tentar reeleger suas respectivas bancadas eleitas em 2014.

Proporcionalmente, contudo, legendas como PP, PR e Podemos se destacam e chegaram a aplicar até 38% de todo o seu fundo eleitoral em suas atuais bancadas. A decisão de concentrar as verbas teve cunho estratégico, já que o número de deputados eleitos é o fator que baliza o volume de recursos que cada legenda receberá do fundo partidário durante a legislatura e do fundo eleitoral nas próximas eleições, além do tempo de rádio e televisão.

Em geral, os grandes e médios partidos estabeleceram cotas nas quais candidatos à reeleição receberam verbas que chegaram a até R$ 2 milhões. Alguns candidatos, contudo, conseguiram fazer costuras políticas que ampliaram o valor captado do fundo eleitoral.

A deputada federal Flávia Morais (PDT-GO), por exemplo, recebeu R$ 500 mil de seu partido – mesmo valor que os demais candidatos pedetistas à reeleição – e mais R$ 625 mil do DEM, partido ao qual aliou-se em apoio à candidatura de Ronaldo Caiado (DEM) ao governo de Goiás.

Partidos pequenos e com menor volume de recursos também concentraram verbas em deputados que disputavam a reeleição. O PHS, por exemplo, repassou R$ 1,8 milhão para o presidente do partido, o deputado federal Marcelo Aro (MG) – ele ficou com o equivalente a 10% do total do fundo eleitoral da legenda.

Seu único colega de bancada que disputou a reeleição, Carlos Andrade (RR), recebeu apenas R$ 287 mil. Outros 200 candidatos novatos receberam, juntos, R$ 4,2 milhões, resultando em uma média de R$ 21 mil para cada candidato, enquanto 128 não receberam recursos.

Segundo Marcelo Aro, o partido priorizou candidaturas com potencial de ajudar o partido a ultrapassar a cláusula de barreiras – meta que a legenda não conseguiu alcançar. Ele ainda justificou o fato de cerca de 10% do fundo ter sido aplicado em sua própria candidatura. “Foi um recurso proporcional à votação que tive em 2014 e ao potencial que teria em 2018”, disse.

A Rede Sustentabilidade também concentrou recursos em seu único deputado que disputou a reeleição – João Derly (Rede-RS) ficou com R$ 725 mil, equivalente a 7% de todo o recurso destinado ao partido. Outros 27 candidatos novatos repartiram R$ 2,1 milhões e 228 ficaram sem repasses.

Em geral, mesmo entre os candidatos que não disputaram a reeleição, tiveram prioridade aos recursos aqueles que já exerceram mandatos ou que são parentes de deputados ou de dirigentes partidários. Entre os ex-deputados, destacam-se João Maia (PR-RN), que recebeu R$ 2,2 milhões, e Luciano Bivar (PSL-PE), que comanda o partido do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), e ficou com R$ 1,8 milhão.

Entre os parentes de políticos, o destaque foi Marlene Campos Machado (PTB-SP), que recebeu R$ 2 milhões. Ela é mulher do presidente estadual do PTB em São Paulo, o deputado estadual Campos Machado.

Também foi bem aquinhoada a candidata a deputada Pollyana Macedo (PP-CE). Ela é mulher do deputado federal Macedo (PP-CE), que desistiu de disputar a reeleição por estar inelegível. Outro caso de deputado que não disputou a reeleição, mas repassou o seu espólio do fundo partidário, foi o atual ministro das Cidades, Alexandre Baldy (PP-GO). Ele apoiou seu assessor parlamentar Adriano Avelar (PP-GO), que adotou como nome de urna Adriano do Baldy e ficou com R$ 1,9 milhão.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *