Os Estados Unidos preparam acusações contra hackers da China

FONTE: O SUL

Procuradores públicos dos Estados Unidos se preparam para revelar, talvez já nesta semana, acusações criminais contra hackers supostamente ligados ao governo da China. A suspeita é de que eles participaram de um sofisticado plano de anos para invadir computadores de provedores americanos.

As autoridades dos EUA descreveram a campanha dos hackers como uma das mais audaciosas e destrutivas entre as que o Estado chinês já orquestrou, com o objetivo de roubar propriedade intelectual e facilitar a espionagem de Pequim.

As invasões de redes deram aos intrusos acesso potencial a dezenas de empresas e agências governamentais americanas que dependem dos provedores para tarefas, como a administração remota de infraestrutura de tecnologia ou de armazenagem em nuvem.

As acusações são aguardadas há semanas. Elas integram as ações do Departamento da Justiça para advertir publicamente a China por operações de espionagem cibernética contra empresas americanas.

Pesquisadores de segurança na computação do setor privado haviam identificado esses ataques, anteriormente, como trabalho de uma organização de hackers conhecida como “APT 10” ou “cloudhopper”, que eles veem como conectada a Pequim. APT é a sigla em inglês de “ameaça avançada persistente”.

As acusações devem inflamar ainda mais a relação entre Washington e Pequim, que sofre novo desgaste depois da detenção, no Canadá, de uma importante executiva da gigante das telecomunicações chinesa Huawei, a pedido das autoridades americanas. O caso da Huawei não se relaciona às acusações que devem ser anunciadas em breve contra os hackers.

As acusações foram postergadas devido a preocupações, por parte de alguns funcionários dos governos dos EUA e de aliados, de que isso pudesse prejudicar a conferência de cúpula do Grupo dos 20 (G20), realizada na Argentina há duas semanas, segundo um funcionário do governo.

Na reunião, o presidente Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping chegaram a um acordo quanto a uma trégua comercial que incluiria negociações sobre “intrusões cibernéticas” e “roubo cibernético”.

Em outubro, procuradores da justiça federal dos EUA anunciaram acusações contra 10 agentes dos serviços de inteligência chineses e outras pessoas. O anúncio descrevia a campanha metódica e persistente para invadir as redes de diversas companhias de aviação americanas.

O Departamento da Justiça dois dias mais tarde divulgou ainda outras acusações contra uma companhia estatal chinesa e sua parceira em Taiwan, por suposto roubo de segredos comerciais da Micron, a maior fabricante de chips de memória dos EUA. O custo dos supostos roubos tecnológicos seria de centenas de bilhões de dólares ao ano à economia dos EUA, de acordo com estimativas do governo.

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