Professores da Ufrgs são alvo de investigação da Polícia Federal pela prática do crime de estelionato

FONTE: O SUL

Como parte das investigações de professores da Ufrgs (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) que mantêm contrato de dedicação exclusiva com a universidade, mas, paralelamente, exercem atividades privadas em clínicas e consultórios, a PF (Polícia Federal) cumpriu, nesta terça-feira (19), 15 mandados de busca e apreensão em Porto Alegre e também em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos.

Essa prática, segundo a PF, é proibida pela lei e constitui crime de estelionato.

Com participação da CGU (Controladoria-Geral da União), o inquérito foi instaurado há três anos.

Um dos docentes chegou a receber um valor por volta de R$ 1 milhão da Universidade entre 2010 e 2016. Conforme da investigação da PF, metade desse valor corresponde ao extra que o profissional recebia pela dedicação exclusiva.

Esta operação foi batizada Herófilo em referência ao médico grego, fundador da Escola de Medicina de Alexandria e primeiro anatomista da história.

Operação PhD

No começo deste mês, a PF concluiu o inquérito da Operação PhD, deflagrada em dezembro de 2016 para investigar desvio de recursos de programas federais de incentivo à pesquisa, especialmente do Projeto SUS Educador. Foram indiciados 28 investigados por estelionato, associação criminosa, falsidade ideológica e inserção de dados falsos em sistemas de informação, de acordo com a participação individual na fraude. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Entre os indiciados, estão seis professores, cinco servidores da Ufrgs e bolsistas que “recebiam valores indevidamente”.

Segundo a PF, a investigação colheu provas de que a associação criminosa que integrava a coordenação de projetos relacionados à área de saúde da Ufrgs, “se utilizava dessa condição para incluir bolsistas que, muitas vezes, não reuniam os requisitos para serem contemplados”.

O programa fraudado visava à capacitação de profissionais da área da saúde que atuariam como multiplicadores do conhecimento, ampliando o atendimento do SUS à população em diversas regiões do Brasil.

Em um caso, destaca o inquérito da Operação PhD, ficou comprovado que uma pessoa com ensino médio incompleto recebia bolsa de doutorado no valor de R$ 6,2 mil. “Os valores recebidos retornavam aos mentores da fraude em dinheiro vivo, depósitos em conta corrente, além de outras formas”, assinala a PF.

O inquérito policial foi compartilhado, com autorização judicial, para que a Ufrgs realizasse os procedimentos administrativos disciplinares que lhe competem. Os professores e funcionários estão afastados das funções.

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