Quase 350 mil cadastros do Bolsa Família foram fraudados no País.

FONTE O SUL//Uma auditoria da CGU (Controladoria-Geral da União) no programa Bolsa Família identificou 345.906 cadastros com indícios de fraude no País. São casos de beneficiários que não teriam direito ao programa por estarem fora das regras estabelecidas, em especial por terem os seus rendimentos mensais acima do patamar determinado pelo governo, de R$ 170.

Segundo a CGU, os registros com indícios de fraudes envolvem servidores públicos e pessoas que possuem casa própria e automóveis importados. Até famílias com renda maior do que R$ 1,9 mil por pessoa estavam entre os beneficiários do programa. Ao todo, foram pagos indevidamente R$ 1,3 bilhão a quem não tinha direito ao benefício.

A CGU realizou um pente-fino nos registros de 2,5 milhões de famílias com cadastros suspeitos, devido a problemas de informações sobre o CPF dos beneficiários, o tamanho e a renda dos núcleos familiares. A informação sobre as fraudes foi repassada ao Ministério do Desenvolvimento Social. O secretário-executivo do ministério, Alberto Beltrame, disse que o governo federal já promoveu, entre outubro de 2016 e dezembro de 2017, a revisão do benefício em 4,7 milhões de cadastros irregulares. Ele não informou se os 346 mil cadastros identificados pela CGU estão incluídos entre os casos revistos pela pasta.

O secretário federal de controle interno da CGU, Antônio Carlos Leonel, disse que aqueles que recebem dinheiro de forma irregular estão sendo procurados e podem ser responsabilizados. “Não é aquele indivíduo que aumentou a renda, conseguiu emprego, melhorou que a gente vai atrás. O que nos preocupa é aquele caso da pessoa que já entrou errada, tem um padrão de vida excelente, que está fraudando o programa de fato”, afirmou Leonel.

São Paulo é o Estado com o maior número de fraudes identificadas, com 58.725 casos. Na sequência, estão Bahia, com 39.759 irregularidades; Rio de Janeiro, com 29.599; e Pernambuco, com 26.839. Na cidade de Piancó, no sertão da Paraíba, 54% dos moradores tinham cobertura do Bolsa Família. Depois do pente-fino, quase metade perdeu o benefício. A cidade tinha servidores da prefeitura e da Câmara de Vereadores cadastrados no programa.

Ao assumir definitivamente o governo, no segundo semestre de 2016, o presidente da República, Michel Temer, determinou que fosse realizado um pente-fino no programa Bolsa Família para identificar beneficiários que mentiam sobre a renda para continuar recebendo o auxílio. Ao cruzar as bases de dados, a fiscalização encontrou 2,2 milhões de famílias com irregularidades no cadastro. Na ocasião, o governo federal cancelou automaticamente 470 mil cadastros do Bolsa Família e bloqueou outros 655 mil até que as pendências fossem solucionadas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *