Saiba mais sobre as propostas de Bolsonaro e Haddad para o ensino a distância

Os dois candidatos à Presidência da República que disputam o segundo turno da eleição, Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), têm posições distintas para o ensino a distância. A proposta não é citada no programa de governo de nenhum dos dois candidatos, mas apareceu em entrevistas de ambos durante a campanha.

Bolsonaro afirmou ser a favor de permitir a modalidade inclusive no ensino fundamental, que vai do 1º ao 9º ano, com alunos de 6 e 14 anos. Haddad, por sua vez, disse ser contra e prometeu impedir também ensino médio a distância.

Proposta de Bolsonaro

No programa de governo: No documento protocolado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o candidato do PSL menciona o ensino a distância em um parágrafo, sem falar diretamente sobre os alunos do ensino fundamental.

“Educação à distância: deveria ser vista como um importante instrumento e não vetada de forma dogmática. Deve ser considerada como alternativa para as áreas rurais onde as grandes distâncias dificultam ou impedem aulas presenciais”, diz o programa de Bolsonaro.

Durante a campanha: Em 28 de agosto, porém, durante entrevista à GloboNews, Bolsonaro foi questionado sobre uma proposta feita dias antes para expandir a autorização do ensino regular a distância para o ensino fundamental. Segundo o candidato, “o ensino presencial é o melhor possível”, mas ele admite considerar que “algumas matérias” possam ser ensinadas a distância.

“Quando você vai para a área rural…Nessas áreas, muitas vezes a escola está muito longe de onde mora aquela criança. E a tecnologia por satélite já chegou lá. Seria nós começarmos a investir por aí. E, logicamente, nesses locais, um pai ou uma mãe, ou alguém que tome conta da garotada, pela manhã, tendo esse ensino a distância, vai, no meu entender, levar algum tipo de informação pra essa garotada ser alguém no futuro”, disse Bolsonaro.

Questionado sobre como funcionaria o acesso às aulas em regiões da zona rural, que também são as que têm menos acesso à comunicação, ele negou que a proposta seja vaga. “Não fica vago. Olha só, uma maratona você começa com um passo”, disse o candidato, afirmando que a ideia inicial é aplicar a política para pequenos grupos de alunos.

“Eu não posso definir quantas crianças são. Se as crianças se comportarem com uma pessoa que possa exercer autoridade, não tem problema a quantidade de crianças. Agora, se for uma quantidade muito grande, justifica você mandar um professor para lá. Justifica. Isso aí funcionaria em um primeiro momento para pequenas quantidades de crianças”, afirmou Bolsonaro.

Proposta de Haddad

No programa de governo: Haddad não fala diretamente sobre o ensino a distância no ensino fundamental, mas se diz contra o EAD no ensino médio, que foi viabilizada pela reforma do ensino médio do governo de Michel Temer, em 2016, mas atualmente não tem regras definidas. A proposta é regulamentar a lei atual para detalhar o que é permitido e o que é proibido.

“O futuro presidente vai revogar a reforma do ensino médio implantada pelo governo golpista, que estabeleceu que uma parcela importante da grade curricular seja ofertada na modalidade de ensino à distância. O governo Haddad irá elaborar um novo marco legal em diálogo com a comunidade educacional, organizações estudantis e toda sociedade”, diz o documento.

Durante a campanha: Na segunda-feira (15), o candidato do PT criticou, em entrevista coletiva a jornalistas em São Paulo, a proposta de Bolsonaro de estender o ensino a distância para alunos do fundamental.

“Se eleitos, nós vamos colocar, nós vamos deixar mais clara na LDB a proibição de educação a distância para o ensino fundamental, como o Bolsonaro está propondo. A educação a distância para o ensino fundamental criaria um problema sério no País”, afirmou Haddad.

Segundo o candidato, a proposta de ensino a distância para alunos do fundamental vai contra a “perspectiva” de outros países, que caminham para ampliar o número de horas que os alunos passam na escola.

O candidato do PT afirmou ainda que a proposta de ampliar o ensino integral também vale para os alunos do ensino médio. “A nossa proposta vai no sentido de tornar as horas de permanência da criança na escola cada vez maiores. Ou seja, nós saímos de 4 horas para 5 horas, temos que mirar 7 horas. Essa é a perspectiva também no ensino médio, a permanência do jovem 7 horas na escola”, respondeu ele, afirmando que a tecnologia na educação deve ser aplicada na escola e ressaltando que o ensino a distância de crianças sofre o empecilho da falta de supervisão.

Fonte: OSUL

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