Um grupo norte-americano pediu que pelo menos 20% dos filmes de Hollywood tenham personagens gays

FONTE O SUL//O filme de amor entre homossexuais “Me Chame Pelo Seu Nome” pode ter ganhado um Oscar pelo roteiro e “A Bela e a Fera”, atração familiar da Disney, ter um personagem com esse perfil, mas no ano passado os filmes dos grandes estúdios de Hollywood (EUA) tiveram a menor porcentagem de personagens LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) desde 2012.

A informação consta em um relatório divulgado nessa terça-feira pelo grupo Glaad (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation, ou “Aliança Gay e Lésbica Contra a Difamação”, na tradução para o português), sediado nos Estados Unidos e que atua na defesa desse segmento.

De acordo com o seu informe anual, intitulado “Índice de Responsabilidade dos Estúdios” dos 109 lançamentos feitos no ano passado pelos sete maiores estúdios, apenas 14 (12,8%), incluíram personagens LGBT.

Lamenta, ainda, que gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros, quando apareceram nos filmes, ainda costumam ter uma participação bem pequena: em metade das produções com personagens LGBT, em média eles aparecem por menos de cinco minutos.

O Glaad pede que, até 2021, ao menos 20% dos lançamentos anuais de Hollywood incluam um personagem gay, lésbica, bissexual ou transgênero. A reivindicação vai além, ao sugerir que essa taxa seja elevada para 50% da produção até 2024.

Sucessos de bilheteria como “Mulher Maravilha” e “Pantera Negra” destruíram a noção, já antiga nos estúdios norte-americanos, de que filmes protagonizados por mulheres ou afrodescendentes não possuem um apelo global, ressalta o Glaad.

“Já é hora de as histórias LGBT serem incluídas nessa conversa”, salientou no relatório a ativista Sarah Kate Ellis, presidente do Gay & Lesbian Alliance Against Defamation.

A entidade, por outro lado, elogiou títulos como o filme de tênis “A Guerra dos Sexos”, bem como o vencedor do Oscar de melhor filme “A Forma da Água” e o longa-metragem chileno “Uma Mulher Fantástica” (Chile), uma produção independente sobre um indivíduo transgênero – o filme que levou o Oscar de melhor filme estrangeiro em março deste ano.

Fora das telas

Fora do mundo da “Sétima Arte”, um outro problema preocupa as entidades de defesa da população LGBT: a violência. E o Brasil não está longe desse filme de terror. Somente em 2017, o Disque 100 recebeu 1,7 mil denúncias de violação de direitos humanos contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros no País.

De acordo com o relatório divulgado pelo Ministério dos Direitos Humanos, 193 delas são de homicídios – o índice de assassinatos foi 127% maior se comparado às 85 denúncias desse tipo de crime registradas no ano anterior.

Entre 1º de janeiro e 8 de maio, a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos registrou 58 homicídios. Deste total, 41 vítimas são travestis. O ministro dos Direitos Humanos, Gustavo Rocha, reforçou a gravidade de crimes motivados pela homofobia.

“Todas as pessoas podem estar sujeitas à violência. No entanto, a população LGBT é vítima de uma violência adicional: são agredidas e discriminadas por serem aquilo que são. Este é um exemplo do ódio e intolerância que precisamos combater enquanto sociedade”, lamentou.

A Ouvidoria é responsável por coordenar serviço de atendimento telefônico gratuito destinado a receber denúncias, manifestações e reclamações sobre práticas que violem os direitos básicos dos cidadãos.

Trata-se, também, do órgão responsável pela elaboração de ações que protejam pessoas com alto índice de vulnerabilidade social. Eventuais denúncias podem ser feitas por contato telefônico, 24 horas por dia, pela internet e pelo aplicativo Proteja Brasil, disponível para Android e IOS.

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