Uma onda de calor deixou ao menos 77 mortos no Japão. Teve cidade que registrou 41,1ºC, recorde no país

Uma onda de calor que atinge o Japão já deixou 77 mortos nas últimas duas semanas, incluindo nove nesta segunda-feira (23), de acordo com informações da agência Kyodo News. Nesta segunda os termômetros na cidade de Kumagaya (65 km a noroeste de Tóquio) registraram 41,1ºC, um recorde na história do país, segundo a Agência Meteorológica do Japão. O recorde anterior, de 41ºC, era da cidade de Ekawasaki em agosto de 2013.

Ao menos 30 mil pessoas procuraram atendimento em hospitais nesse período devido às altas temperaturas, que chegam a ultrapassar 40ºC. A maior parte das vítimas é de idosos com histórico de problemas respiratórios ou cardíacos, muitos deles sem ar condicionado em casa.

Com a temperatura se mantendo acima de 35ºC em quase todo o país —só a ilha de Hokkaido, ao norte, tem temperaturas mais amenas— o governo japonês emitiu um alerta para a população.

A recomendação das autoridades é que as pessoas bebam bastante água para se manterem hidratadas, evitem a luz do sol e usem ar condicionado.

Na capital Tóquio a temperatura chegou a 40,8ºC nesta segunda, a mais alta da história na cidade. Os bombeiros afirmaram que, devido ao calor, receberam no domingo (22) 3.125 chamadas de emergência para atendimento, um recorde desde o início do serviço, em 1936.

A onda de calor no país começou logo após uma série de chuvas que deixaram mais de 200 mortos em todo o país.

Além do Japão, a onda de calor atingiu também a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, onde provocou ao menos dez mortes, de acordo com a agência Associated Press. A previsão é que as altas temperaturas se mantenham pelas próximas duas semanas.

Caritas

A Caritas japonesa, organismo da Conferência Episcopal do Japão, fez um apelo pedindo voluntários dispostos a ajudar no programa de socorro e reconstrução, após as recentes enchentes ocorridas no oeste do país. A situação piorou com a onda de calor que fez aumentar a temperatura de forma anômala.

“Os centros de voluntariado de Shakyo (Comissão para assistência social) foram abertos em várias cidades. As dioceses mais atingidas de Hiroshima e Takamatsu estão pedindo às pessoas para se unirem ao trabalho dos voluntários. Agora, é necessário remover a lama e os detritos, trabalho que se tornou difícil para as equipes de resgate e voluntários por causa das temperaturas elevadas desses dias”, disse à Agência Fides Aine Ono, funcionário da Caritas japonesa.

As áreas afetadas pelas enchentes no oeste do Japão foram atingidas por uma onda de calor prolongada, no momento em que os sobreviventes começaram o trabalho de limpeza, após os deslizamentos de terra e inundações causados pelas chuvas torrenciais que mataram 222 pessoas desde o início de julho.

O calor excessivo tem sido o maior desafio para as operações de resgate e recuperação.

Mais de cem mil famílias sem água

O Ministério da Saúde do Japão estima que 103 mil e 400 famílias japonesas estão sem água corrente e estão lutando contra as temperaturas elevadas.

As agências governamentais exortam as pessoas que têm aparelhos de ar-condicionado quebrados para se transferirem para locais com ar-condicionado, aconselhando também os deslocados a retornarem aos centros dotados de ar refrigerado.

Segundo a agência para a gestão de incêndios e desastres, 4.500 pessoas permanecem nos centros de evacuação, mas o acesso à água permanece limitado dentro desses centros.

Riscos de incêndios

As operações de busca e resgate estão sendo realizadas com a ajuda de 81 helicópteros e 26 mil policiais, bombeiros e forças de autodefesa.

Somente nas prefeituras de Ehime e Okayama, 3.600 voluntários trabalharam para limpar tudo, desde areia, lama e detritos, na medida em que as temperaturas subiam. Nas áreas onde o abastecimento de água permanece interrompido, os municípios alertam sobre os riscos de incêndios que teriam consequências particularmente graves. Danos às máquinas e à agricultura foram calculados em 48 bilhões de ienes (429 milhões de dólares), mas o Governo ainda está contando. Certamente, o número deve aumentar.

Fonte: O Sul

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