A defesa de Lula negou que irá solicitar ao Supremo o pedido de prisão domiciliar para o ex-presidente

FONTE: O SUL

Em nota distribuída à imprensa na noite de quinta-feira (21), a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou que irá solicitar ao STF (Supremo Tribunal Federal) que o petista passe a cumprir prisão domiciliar. Lula está preso na sede da PF (Polícia Federal) em Curitiba (PR) desde 7 de abril e terá um recurso apreciado pela Corte na terça-feira (26).

“O ex-presidente Lula está pedindo nos recursos dirigidos aos Tribunais Superiores o restabelecimento de sua liberdade plena porque ele jamais praticou qualquer ato ilícito”, diz o texto assinado pelo advogado Cristiano Zanin Martins. “A defesa de Lula não apresentou ao STF ou a qualquer outro Tribunal pedido de prisão domiciliar.”

O ex-presidente foi condenado a 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex em Guarujá (SP).

Zelotes

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, determinou na quinta-feira (21) a suspensão do processo da Operação Zelotes em que o ex-presidente Lula é réu. A interrupção vai durar até que 17 testemunhas residentes no exterior sejam ouvidas.

A ação penal investiga supostos crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e tráfico de influência nas negociações que levaram à aquisição de 36 aeronaves suecas por US$ 5,4 bilhões, em 2014, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). O caso pode render a segunda condenação ao petista. A defesa de Lula nega que haja provas dos crimes imputados a ele.

Lula seria interrogado por Oliveira na manhã de quinta-feira, por meio de videoconferência. Na quarta-feira (20), no entanto, o desembargador Néviton Guedes, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), aceitou um pedido da defesa do ex-presidente e desmarcou o seu interrogatório.

Os advogados alegaram que o tribunal já havia suspendido anteriormente o depoimento para que antes fossem ouvidas as testemunhas do exterior e decidido que o interrogatório de Lula só poderia ser marcado antes das oitivas dessas testemunhas caso houvesse algum risco para o processo, como a prescrição. Entre essas testemunhas estão, por exemplo, os ex-presidentes da França Nicolas Sarkozy e François Hollande.

Em despacho publicado na quinta-feira, o juiz Oliveira determinou que o processo permaneça suspenso até o retorno das cartas rogatórias expedidas para 17 testemunhas residentes no exterior: quatro na França, uma no Reino Unido e 12 na Suécia.

Assim, estão adiados, sem previsão de nova data, os depoimentos de Lula, seu filho Luís Cláudio Lula da Silva e do casal Mauro Machado e Cristina Mautoni, que também são réus no processo. O juiz também determinou que qualquer petição protocolada pelas defesas só será apreciada por ele após o retorno das cartas rogatórias, na audiência de interrogatório. O depoimento de Lula nesse processo já foi adiado ou suspenso em pelo menos outras quatro ocasiões.

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