Assaltos a ônibus levam força-tarefa da polícia a ampliar a atuação na Região Metropolitana de Porto Alegre.

FONTE G1//A insegurança e a violência no transporte público são rotina em Porto Alegre, na Região Metropolitana e no interior do Rio Grande do Sul. Uma força-tarefa criada na capital para combater assaltos em ônibus passou a atuar em algumas cidades próximas e planeja expandir ainda mais a abrangência.

Um vídeo mostra a ação de dois criminosos dentro de um ônibus (veja acima). Uma pessoa que estava no veículo relatou que a dupla mandou o motorista permanecer dirigindo enquanto roubavam todos, inclusive o cobrador.

“Um dos dois ficou parado na porta. Enquanto isso, o outro foi passando pela frente, já pegando todas as coisas de todo mundo. Falou com o cobrador, que não era pra ninguém gritar, que era para o ônibus continuar andando. Não era para abrir a porta para ninguém, só continuar andando”, relatou, sem se identificar.

Os criminosos não se importaram com as câmeras de segurança, ainda segundo o relato. “Eles estavam de capuz, armados, e meteram o terror. Falaram que eram ex-presidiários já e não tinham problema com câmera”.

Segundo a Polícia Civil, a dupla que aparece no vídeo é responsável por pelo menos 15 roubos. Além das imagens, os suspeitos também foram reconhecidos por testemunhas.

“As linhas atingidas são realmente as que apresentam grande quantidade de passageiros. Uma média de 20 a 40 por coletivo. Então, se nós apurarmos essa média, são mais de 400 vítimas que, pelo menos de uma maneira direta ou indireta, foram atingidas nesses roubos”, contabiliza o delegado Alencar Carraro.

A situação tambem é preocupante nas cidades da Região Metropolitana. Segundo o Sindicato dos Motoristas e Cobradores, Gravataí lidera a lista da maior ocorrência de roubos dentro dos ônibus. Nos últimos três meses, foram 93. Cachoeirinha vem em segundo lugar, com 59 casos. Em Viamão, 49 registros. Em Alvorada, 40. E em Canoas, 19.

Passageiros contam que viajam com medo. “Cuido-me bastante, deixo a bolsa bem no fundo, não fico com o celular na mão”, afirma a aposentada Odete dos Santos.

Já a manicure Vera Lúcia Carvalho afirma que evita andar de bolsa. “Estou sempre olhando, cuidando. Hoje não tem segurança nem dentro de casa, quanto mais dentro do ônibus, na rua”, reclama.

E até nas paradas de ônibus, o medo está presente. “[a parada] Não é segura, à noite não tem como descer aqui, não tem segurança”, opina o auxiliar de sushiman Kelvin Borba.

Os trabalhadores do transporte coletivo querem que a força-tarefa da Polícia Civil, que combate os roubos em Porto Alegre, também passe a atuar na Região Metropolitana. “Teria várias prisões, porque os mesmos indivíduos assaltam ônibus três, quatro, cinco vezes”, analisa o presidente do Sindimetropolitano, Mauro César da Silva Santos.

A Polícia Civil informou que a força-tarefa que trabalha pelo fim dos roubos ao transporte coletivo de Porto Alegre já atua também em algumas cidades da Região Metropolitana, e vai ampliar o combate aos crimes nos municípios de Viamão, Alvorada e Gravataí.

No interior, a situação também preocupa. Em Rio Grande, no Sul do estado, até agosto deste ano foram registrados 275 roubos. Uma cobradora, que trabalha há quatro anos no transporte coletivo da cidade, afirma que sempre conviveu com a insegurança.

“Quando eu cheguei aqui, no primeiro dia, eu fui assaltada, eu até nem esperava. Eu não entendia que ele dizia que era um assalto”, diz a mulher, que prefere não se identificar. “Mas é horrível, a sensação é horrível”, garante.

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