Estudo revela panorama da desigualdade racial no Rio Grande do Sul

FONTE: O SUL

Representando 21% da população gaúcha – cerca de 2,3 milhões de pessoas –, os negros (pretos e pardos) estão em desvantagem na comparação com os brancos em uma série de indicadores relativos à educação, saúde, mercado de trabalho e representação política no Rio Grande do Sul, aponta um estudo divulgado nesta sexta-feira (19) pelo governo do Estado.

Conforme dados reunidos pelo DEE (Departamento de Economia e Estatística), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão, há, por exemplo, maiores taxas de analfabetismo entre negros do que entre brancos, diferenças significativas nas taxas de ensino superior completo, maior distorção idade-série entre negros (percentual de alunos que têm idade acima da esperada para o ano em que estão matriculados), além de risco mais alto de óbito por Covid-19 entre pessoas com mais de 60 anos e maior taxa de desemprego entre negros em relação aos brancos no Estado.

Essas informações constam no relatório técnico “Panorama das desigualdades de raça/cor no Rio Grande do Sul”, divulgado na véspera do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro.

Educação

A taxa de analfabetismo entre a população negra do Rio Grande do Sul é maior do que entre os brancos em todas as faixas etárias, chegando a ser três vezes superior em alguns casos. Entre pessoas de 15 a 17 anos, por exemplo, a taxa é de 5,2% ante 2% dos brancos, chegando a 16% entre a população negra com 60 anos ou mais contra 5,2% na mesma faixa etária entre os brancos.

Quando o tema é escolaridade, a população negra também está em desvantagem. No Estado, 16,4% dos brancos tinham ensino superior completo em 2019 contra 6,3% dos negros. Já entre a população com ensino fundamental incompleto, o percentual entre os negros era de 38,8%, contra 31,5% dos brancos.

Entre os matriculados na educação básica, os brancos representavam 84% do total dos estudantes, contra 10% de pardos e 5% de pretos.

Saúde

Em 2019, 19,2% da população branca do Estado avaliava seu estado de saúde como “muito bom”, percentual que cai para 16,7% entre os pardos e 12,2% entre os pretos. O acesso a serviços privados de saúde chega a 30,4% entre os brancos, ante 17,1% entre os pardos e 16,3% entre os pretos.

Trabalho

Na taxa de desemprego por raça/cor no Rio Grande do Sul, o percentual é mais expressivo entre os pretos e pardos em relação aos brancos. No primeiro trimestre de 2020, o último antes dos maiores efeitos da pandemia de Covid-19, a taxa era de 13,5% entre a população preta, 12,8% entre os pardos e 7,2% entre os brancos.

No mesmo período de 2020, o rendimento médio dos negros respondia por pouco mais de 55% do rendimento dos brancos. Enquanto a renda média dos pretos era de R$ 1.996 e a dos pardos de R$ 1.848 no primeiro trimestre do ano passado, entre os brancos o rendimento chegava a R$ 2.990, conforme dados do IBGE.

O estudo foi produzido pelos pesquisadores André Augustin, Daiane Menezes, Lívio de Oliveira, Marilyn Agranonik, Ricardo de Oliveira Júnior, Rodrigo Campelo, Ana Clara Grassi, Henrique Silva e Gabriele dos Anjos.

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