Impacto de delação da JBS pode atrasar votação de pacote do governo do RS

FONTE G1
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O Impacto das delações da JBS poderá atrasar a votação na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul do pacote de medidas do governo estadual para o corte de despesas. Na tarde desta segunda-feira (22), foi realizada no Palácio Piratini uma reunião para definir a retomada da apreciação de 11 projetos elaborados pelo Executivo com objetivo de conter a crise financeira.
“O governo tem a vontade de começar as votações imediatamente, tendo em vista que o estado não pode mais esperar”, diz o líder do governo na Assembleia, deputado Gabriel Souza (PMDB). “O tempo passa e a crise se aprofunda, e o estado precisa sair dela.”
O Executivo tenta garantir na Assembleia os 33 votos necessários para aprovar sete propostas de emenda constitucional. Uma delas prevê a retirada do plebiscito para privatizar ou repassar para o governo federal a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), a Sulgas e a Companhia Rio-Grandense de Mineração (CRM).
A ideia é recomeçar a votação pelos projetos menos polêmicos. No entanto, até mesmo deputados aliados ao governo preferem esperar pelo esclarecimento do caso.
“Podemos adiar, a base do governo está conversando. Depois de tudo o que está acontecendo, esse cenário da política agora, esperar mais uma semana, duas semanas para a votação”, diz Missionário Volnei (PR), que integra a base governista no parlamento.
Reunião no Piratini tratou da retomada da votação do pacote do Executivo (Foto: Leandro Osório/Palácio Piratini) Reunião no Piratini tratou da retomada da votação do pacote do Executivo (Foto: Leandro Osório/Palácio Piratini)
Reunião no Piratini tratou da retomada da votação do pacote do Executivo (Foto: Leandro Osório/Palácio Piratini)
Pedido de impeachment
Nesta segunda-feira (22), o CPERS/Sindicato, que representa os professores da rede pública estadual, protocolou na Assembleia um pedido de impeachment do governador. A entidade teve no ano passado um pedido semelhante arquivado, mas agora incluiu como justificativa a delação premiada em que Ricardo Saud, executivo da JBS, que cita o nome de Sartori.
Em delação à Procuradoria-Geral da República, Saud disse que R$ 1,5 milhão de propina teriam sido repassados para a campanha do político, a pedido do senador Aécio Neves que, na época, era candidato à presidência. “Uma coisa que você vai achar engraçada: o Aécio pediu pra dar 1,5 milhão para o PMDB do Rio Grande do Sul”, conta Saud na delação.
Questionado se o PMDB já não apoiava o PT na ocasião, o executivo explicou que os dois partidos eram oponentes no segundo turno da eleição para o governo gaúcho. Sartori superou o petista Tarso Genro, que tentava a reeleição.
“Lá tem o Ivo Sartori era dissidente, porque o PT tinha candidato lá. Aí o Aécio deu um milhão e meio desse dinheiro dessa propina para o Sartori”, diz o delator. “Doação oficial, dissimulada de forma oficial”, acrescenta.
Repercussão na Assembleia
Deputados de oposição condenam o fato de Sartori ter aceitado a doação da JBS. “O próprio doador chama de propina, era propina. O governador recebeu, não processou quem diz que era propina, e agora acha que porque entrou no caixa um, é uma maneira de limpar o dinheiro e isso está resolvido. Não fica, está enganado”, diz Pedro Ruas (PSOL).
Governistas defendem o chefe do Executivo. “Com recibo e declaração na Justiça Eleitoral, onde está a ilegalidade? Hoje seria ilegal. Na época, era autorizada a contribuição de empresas”, destaca Ibsen Pinheiro (PMDB).
O presidente da Assembleia, Edegar Pretto (PT), encaminhou nesta segunda-feira (22) o pedido do CPERS/Sindicato para um parecer da Procuradoria da Casa. Se for favorável, o presidente terá que levar o caso para a mesa diretora.
Pretto adota a cautela para comentar o possível processo de impeachment. “Não esperem de nós nenhuma irresponsabilidade política. O impeachment é um processo muito sério e muito caro para a democracia de uma nação ou de um estado”, pondera.

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