Luis Fernando Fernandes achou que conseguiria se proteger sozinho: não deu Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

Imprudência que arde: veja como evitar a pele torrada pelo sol

Pele vermelha, queimada, torrada. Basta andar pelas praias para ver que há muita gente brincando com coisa séria. Mas a saúde da pele é tão importante quanto a de todo o resto.

Por: Felipe Martini

 

Era a segunda vez na vida que o metalúrgico Giovani Vonmuhln, 25 anos, de Colinas, no Vale do Taquari, pisava em uma praia. Talvez a euforia de aproveitar o final de semana em Remanso o fez cometer um dos descuidos mais fatais aos veranistas: ter vergonha de pedir para alguém passar protetor em suas costas.

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O sentimento que toma conta dezenas de orgulhosos não leva em conta que é anatomicamente impossível (para a maioria) alcançar com os dedos toda a região. O erro de cálculo custa caro e o sol cobra os juros durante dias com ardência constante e noites mal dormidas.

– Fui passar protetor sozinho, não alcancei tudo, daí torrou. Nas costas, ficou uma marca bizarra – contou rindo o jovem de sotaque carregado.

Mesmo com um desenho abstrato em vermelho vivo no meio da paleta, adquirido no dia anterior, o metalúrgico estava no sol novamente neste domingo pela manhã. Parece que nem a ardida marca o fez mudar a estratégia:

– Hoje (domingo) passei protetor sozinho de novo. Não está ardendo, acho que não vou torrar tanto como sábado – afirmou, pouco convicto.

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O descuido alimentado pela autoconfiança também fez o estudante de Educação Física Luis Fernando Fernandes, 29 anos, ganhar uma queimadura que pintava de vermelho parte de suas tatuagens no centro das costas.

– Uso protetor com fator 50 por causa do meu tipo de pele. Venho de uma descendência de pessoas claras. Acabei não alcançando a parte das costas. Espalhei bem nos ombros, mas o centro ficou desprotegido e acabei pegando um torrão – conta o estudante, hospedado em Capão da Canoa.

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Mesmo na companhia de suas três primas, o jovem, que toma um torrão por ano, não aceitou ajuda para espalhar o protetor solar nas áreas inalcançáveis do corpo.

– Elas até ofereceram ajuda, mas fui meio orgulhoso e não quis. Acabei me lascando. Foi total falta de cuidado – explica Fernando.

Após o torrão, o jovem correu para a farmácia e comprou cremes hidratantes e gel refrescante para aguentar a noite. Para dormir, só de barriga pra baixo.

– Como só vim no final de semana, quis tentar pegar um bronzeado pra dizer que estive mesmo na praia. Mesmo com o torrão, voltei. Azar, quero aproveitar o dia – pontua o veranista.

A enfermeira Lilian Jacobs, 28 anos tomava sol de barriga para baixo deitada em uma cadeira enquanto exibia as consequências de um descuido: as costas rosadas contrastavam com os braços e pernas mais claros. A jovem de Novo Hamburgo foi reforçar o bronzeado sozinha no sábado e também não conseguiu proteger a região mais marcada por torrões durante o verão.

– Passei protetor, mas tem lugares nas costas que não alcançamos. Esse já é o segundo torrão do verão, por isso não está me ardendo. Sempre no inicio da temporada tomo o primeiro vermelhão, e depois vai baixando e vira bronzeado. Foi um descuido – conta Lilian que usa protetor fator 30.

Torrão pré-praia só piora a situação

Alguns querem aproveitar o sol da beira-mar já preparados. Para “quebrar o branco” antes de pisar nas areias, muitos apelam para a piscina e até para um dia de bronzeamento no pátio. A técnica de enfermagem Roselia da Rosa, 32 anos, adotou a estratégia antes do veraneio em Arroio do Sal. Bastou uma tarde na beira da piscina em Três Coroas para o sol pintar o corpo de Roselia com marcas vermelhas abstratas.

– Só passei protetor no rosto, nas minhas tatuagens e nos joelhos e achei que um dia não seria capaz de torrar tanto. Me ferrei e estou toda marcada. Meu marido até chamou minha atenção porque dele e do meu filho eu sempre cuido – conta a técnica.

Mesmo com áreas queimadas em boa parte do corpo, Roselia não quis deixar de aproveitar o final de semana quente na beira da praia e se expôs ao sol ao meio-dia:

– Usei protetor fator 50 hoje (neste domingo), mas depois passei óleo bronzeador por cima – admite, envergonhada. – O último torrão que tomei era criança. Agora, depois de adulta, estou pagando mico na praia.

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O incrédulo

Geralmente a parte esquecida na hora de passar o protetor é lembrada pela ardência no outro dia. Não foi o caso de Adonis Teixeira, 56 anos, que não tinha uma parte “torrada”, mas praticamente todo o corpo. O funcionário público de Caxias do Sul é daqueles que não acreditam no “poder” do protetor solar.

– Fui caminhar com minha esposa e ela me encheu o saco para passar protetor. Sou daqueles que nunca acha que o sol vai pegar e quando chega de noite fica um camarão. Como dizem os gringos de Caxias: “daí dá os ardumes, né?!” – conta.

Mesmo queimado, Adonis manteve-se cético e não comprou hidratante porque, segundo ele, “não achava que estava doendo”. No dia seguinte, deu uma carregada no protetor:

– O cara começa a ficar velho e vai tomando mais cuidado. Não é o meu caso. Agora, vou me guardar para o próximo verão.

 

Fonte: Zero Hora

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