Lúcio Funaro diz à PF ter sido sondado por Geddel sobre intenção de delatar

FONTE G1

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O doleiro Lucio Funaro, ligado ao ex-deputado Eduardo Cunha, disse em depoimento que prestou na última sexta-feira (2) à Polícia Federal – ao qual a TV Globo teve acesso – que recebeu sondagens do ex-ministro Geddel Vieira Lima, aliado do presidente Michel Temer, sobre a eventual intenção de fazer acordo de delação premiada.
Nesta quarta-feira, o advogado de Funaro, Cezar Bittencourt, informou que deixou a defesa do doleiro e disse que ele decidiu tentar um acordo de colaboração premiada.
O depoimento à PF foi dado no âmbito da Operação Patmos, etapa da Operação Lava Jato deflagrada após a delação de executivos da JBS. Na Patmos, a irmã de Funaro foi presa em São Paulo.
Segundo registrou a Polícia Federal, Funaro “estranha alguns telefonemas que sua esposa tem recebido de Geddel Vieira Lima, no sentido de estar sondando qual seria o ânimo do declarante em relação a fazer um acordo de colaboração premiada”.
O G1 tentou falar por telefone com o ex-ministro Geddel Vieira Lima e com seu advogado, mas não havia conseguido contato até a última atualização desta reportagem. Geddel pediu demissão da Secretaria de Governo após ter sido acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de pressionar pela liberação de uma obra em Salvador.
No depoimento, Funaro reafirmou versão que o empresário Joesley Batista, dono da empresa JBS, apresentou em delação premiada: “que Geddel Vieira Lima era de fato o principal contato de Joesley com o governo Michel Temer”.
Preso desde julho
Lúcio Funaro está preso desde julho do ano passado, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, por suspeitas de envolvimento num esquema de desvios no FI-FGTS, fundo de investimentos administrado pela Caixa Econômica Federal investigado pela Operação Lava Jato. Ele é ligado ao ex-deputado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso pela Lava Jato em Curitiba.
Um dos motivos que levaram a Procuradoria Geral da República a pedir a prisão de Funaro foi uma acusação de ameaça de morte, feita pelo ex-vice presidente da Caixa Fábio Cleto, também delator.
Em depoimento, Cleto relatou aos investigadores que, no momento em que tentou deixar o esquema de corrupção que operava na Caixa, Funaro ameaçou atear fogo em sua casa. O relato foi confirmado pela ex-mulher de Funaro em depoimento à Justiça Federal.
Advogados
No depoimento à PF, o doleiro também afirmou que escritórios de advocacia também sondavam seu “estado de ânimo”.
“Também chamou a atenção do declarante o monitoramento feito do seu estado de ânimo dos escritórios de advocacia que o assessoram, primeiro o escritório do Mariz, depois o escritório de Daniel Gerber, ligado ao escritório de Ferrão”, diz o relatório da PF sobre o depoimento do doleiro – Funaro foi cliente dos escritórios de advocacia de Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, de Eduardo Ferrão e de Daniel Gerber.
“Sondagem? Isso não é verdade, isso não é verdade. Ele foi meu cliente, e depois nos desentendemos, e eu saí. E aí, depois que ele foi preso, eu nunca mais falei com ele. Isso não é verdade”, disse Ferrão ao

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