Sheila foi encontrada em uma chácara a aproximadamente três quilômetros do ponto onde desapareceu Foto: Jonas Ramos / Agencia RBS

Mãe acusa padrasto de envolvimento no sumiço de criança em São Francisco de Paula

Homem disse estar sendo vítima de uma mentira

 

Uma declaração de Selma Doralina Lima Guedes, 26 anos, à reportagem da RBS TV, provocou reviravolta no caso da menina ficou desaparecida durante cinco dias em São Francisco de Paula. Selma acusou o companheiro, Edimar da Silva Leal, 42 anos, de ter dado a enteada Sheila Graciane Lima Guedes, cinco anos, para pessoas não identificadas. Até então, os dois afirmavam que a criança havia se perdido durante uma pescaria.

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Na reportagem, Selma afirmou ter sido coagida pelo homem a mentir na investigação:

— Mente. Tu não fala a verdade que eu fiz, que eu peguei e dei a guria, sabe. Só que ele não me falou para quem, sabe, em momento algum. Eu perguntei pra ele, sabe, eu perguntei pra ele, para quem ele tinha dado. Ele disse: “não vou te falar” — relatou Selma.

Leal nega as acusações:

— Ela (Selma) está inventando essa história. Ela é uma mentirosa, já contou várias versões. Eu estava ajudando a cuidar das crianças no dia da pescaria. A menina (Sheila) desapareceu enquanto eu estava pescando. Tinha crianças na beira do rio, no mato. Não vi para onde ela foi. Com essa situação, com essa acusação, agora não sei o que falar. Só se eu fosse um pessoa sem cabeça ou coração pra fazer alguma coisa assim — defende-se Leal.

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A delegada responsável pelo caso, Fernanda Seibel Aranha, adotou cautela quanto às acusações:

— Vamos trabalhar em tudo que é dito, não tenho muito a acrescentar sobre o que está sendo falado. Estamos mantendo a investigação em sigilo com base no Estatuto da Criança e do Adolescente, para poder trabalhar com tranquilidade.

Com as informações, o caso toma outro rumo. Até a tarde de segunda-feira, não havia definição sobre a situação de Sheila. A criança estava sob a responsabilidade do Conselho Tutelar. Ela havia sido transferida de São Francisco de Paula para Porto Alegre, onde passaria por exames complementares.

O promotor de Justiça, Bruno Pereira Pereira, espera por um relatório do Conselho Tutelar sobre a situação da criança e as medidas adotadas para resguardar a menina.
Também ainda não se sabe como Sheila ficou cinco dias sumida e reapareceu em uma plantação de couve a poucos quilômetros de onde foi vista pela última vez. Segundo os médicos, se ela estivesse mesmo perdida e sozinha durante todo esse tempo, sua sobrevivência dependeria de muita sorte.

A criança foi localizada pelo caseiro de uma propriedade rural no final da tarde de segunda-feira. Ela desapareceu durante uma pescaria ao lado da família, na tarde de 20 de janeiro. Polícia e bombeiros haviam suspendido as buscas no domingo por falta de pistas.

Além de ficar sem água e sem comida no período, a criança seria obrigada a caminhar em campo aberto, entrar em mata fechada, topar com bichos e atravessar um rio que corta a região. Também seria obrigada a dormir ao relento e enfrentar o calor. Detalhe: ela tinha dificuldades para caminhar.

— Impossível não é, mas é muito difícil uma criança de cinco anos sobreviver. Para um adulto, já não é fácil. Ela teria que atravessar um riacho mais profundo, com correnteza e mais volume de água, terreno acidentado, passar alguns matos com espinhos, cercas de arame, como é que ela passaria cinco noites na mata? — questiona-se o comandante dos bombeiros de São Francisco de Paula, Eron Pessoa.

A pediatra Raquel Reis Vanacor entende que somente a investigação poderá determinar se houve sorte:

— Sem comida não seria algo tão caótico, mas sem água é pior, a pessoa sobrevive menos tempo. Ela necessita mais da água do que da alimentação, pois a alimentação tem uma reserva, se a criança for bem nutrida. Vão ter que ver direito se ela conseguiu alguma fonte de água pra entender como sobreviveu — pondera a médica.

 

Fonte: Diário Gaucho

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