Museu Histórico Visconde de São Leopoldo celebra 60 anos e apresenta desafios

FONTE: JORNAL VS

O sábado (28) foi de comemoração e reflexão sobre o caminho percorrido para a direção, mantenedores, voluntários e funcionários do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo. A data foi marcada pela comemoração aos 60 anos da fundação do museu, que tem como objetivo não deixar com que se perca a história da construção da cidade e da Imigração Alemã ao Brasil. Além disso, o Museu Histórico tem como missão promover na população o senso de pertencimento à comunidade através da manutenção, preservação, pesquisa e divulgação do acervo histórico material e imaterial da antiga colônia.

Para comemorar os 60 anos que foram completados no dia 20 de setembro, foi realizado um banquete tipicamente alemão. Entre as comidas, tinha cuca e linguiça e para beber, chope, para brindar o dia especial. “É uma festa para brindar e celebrar não apenas o museu e sua importância histórica e sentimental para a nossa cidade, mas também para exaltarmos as pessoas que fazem com que esse espaço esteja de pé e continue sendo referência em pesquisa e manutenção da história de São Leopoldo”, conta o presidente do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo, Cássio Tagliari.

Entre os passos a se comemorar, Cássio destaca a estabilidade financeira. “Desde janeiro temos saldo positivo todos os meses, isso porque o museu é mantido apenas por mantenedores, físicos e jurídicos. Afinal, desde 2017, não recebemos nenhum repasse da Prefeitura, o que deve dar no momento algo em torno de R$ 200 mil. O que é complicado, pois a mesma sempre foi uma grande apoiadora da instituição. E claro que esse equilíbrio financeiro exibiu algumas adaptações, porém, estamos contentes em atingir essa que era uma das metas”, vibra Cássio.

Busca por recursos

Atualmente o museu é mantido através de doações de mantenedores, físicos e jurídicos. Para poder ampliar seu trabalho, atender mais escolas e poder ter um espaço maior, a instituição precisa da colaboração da comunidade. A partir de R$ 10,00 você já pode contribuir financeiramente. Para ajudar com recursos ou ser um voluntário, você pode ligar para 3592-4557 ou mandar um e-mail para [email protected].

Pensando nos próximos 60 anos e seus desafios

Para o presidente do Museu, o desafio agora é ampliar o trabalho. “Estamos aos poucos fazendo com que os espaços contem em ordem cronológica a história da imigração e queremos ampliar as visitas das escolas, pois vemos que nossos jovens não conhecem a história da cidade. Mas isso exige mão de obra e, fora os voluntário, temos apenas dois funcionários”, diz. Uma das novidades é que o Museu Histórico Visconde recebeu R$ 12 mil do Sicredi, que tem um projeto social. Isso está fornecendo ajudando na readequação do espaço. “Uma das coisas que aprendemos ao ver a história dos nossos antepassados é que todos temos dificuldades, mas que elas precisam ser superadas. É o que usamos de meta aqui”, fala Cássio. Uma das voluntárias que atua há mais tempo, é Hanny Sporket, 77 anos. “Há 11 anos sou voluntária aqui, comecei ajudando com a restauração de livros. Na época trabalhava, então vinha aqui e buscava os livros e documentos, o que era complicado. Depois da aposentadoria pude me dedicar 100%. O que me motivou a trabalhar aqui foi ver documentos tão raros, que precisavam de cuidados e também manter viva a história que é da minha família também”, conta.

Visão no Bicentenário

Os 60 anos também foram marcados por ser um momento de olhar o futuro e nada como analisar o passado para que se construam passos mais acertados para os próximos anos. Segundo Ingrid Marxen, 71, relações institucionais do Museu Visconde de São Leopoldo, o Bicentenário tem sido uma das pautas importantes. “Queremos até o Bicentenário termos a Casa do Imigrante pronta e a duplicação do nosso Museu Histórico, que está parada por causa da falta de recursos. Nosso propósito é esse até os 200 anos da Imigração Alemã. Nossa história merece esse reconhecimento e valorização e isso depende de nós, pois a história é nossa, é de cada um que aqui vive e é fundamental que trabalhemos para a sua preservação”, afirma Ingrid.

Casa do Imigrante

Um dos símbolos da colonização alemã em São Leopoldo a Casa do Imigrante, no bairro Feitoria, teve parte de sua construção destruída na manhã de 5 de março deste ano. O local acolheu os primeiros alemães que chegaram a São Leopoldo em 1824. “A Unisinos se prontificou em montar o projeto do restauro de forma gratuita. Porém, levaria dois anos para o mesmo estar completo e a Prefeitura quer que seja em seis meses. Então afirmou que colaboraria, disponibilizando profissionais. Porém, desde julho nada acontece. Queremos esse espaço pronto até o Bicentenário. E já até temos empresas interessadas em custear”, diz Cássio Tagliari. Até o fechamento desta edição, a Prefeitura de São Leopoldo não se manifestou sobre o assunto.

Saiba Mais 

O Museu Histórico Visconde de São Leopoldo foi fundado em 20 de setembro de 1959. Nasceu para salvar do esquecimento e da perda, objetos, livros, cartas, jornais, documentos e outros elementos que se referiam a história da imigração e colonização alemã na região — a então Colônia de São Leopoldo nos vales do Sinos e Caí. O acervo é composto por cerca de 10 mil objetos, 25 mil livros, 85 mil fotos, 9 mil periódicos e 12 mil documentos únicos e raros sobre a imigração alemã e história de São Leopoldo. Entre os objetos, são encontrados louças, móveis, instrumentos musicais, bandeiras de antigas sociedades e medalhas. O museu é uma instituição comunitária, de direito privado e sem fins lucrativos. Ele é mantido com doações de mantenedores e com o trabalho de voluntários. Entre as pessoas da comunidade que fundaram o museu, destacam-se o professor Telmo Lauro Müller, além de, Germano Moehlecke e Kurt Schmeling.

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