O presidente Michel Temer disse à Polícia Federal que não tem a “menor ciência” de suposto acerto de 10 milhões de reais entre a empreiteira Odebrecht e o MDB

A PF (Polícia Federal) enviou um questionário com perguntas ao presidente Michel Temer no âmbito do inquérito que apura a suposta negociação, no Palácio do Jaburu, em 2014, de R$ 10 milhões da empreiteira Odebrecht para o MDB.

O blog da jornalista Andréia Sadi obteve acesso ao questionário, enviado no dia 7 de agosto ao presidente. Nas questões, o delegado Tiago Delabary, responsável pela investigação, quer detalhes sobre a negociação que ocorreu entre executivos da Odebrecht, o presidente Temer e o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Em uma das perguntas, o delegado responsável pelo inquérito escreve: “Alguns executivos da Odebrecht afirmaram, no âmbito de seus respectivos acordos de colaboração premiada, que, em meio à segunda rodada de concessões de aeroportos, receberam do ministro Moreira Franco solicitação de apoio financeiro à campanha do PMDB, o que teria redundado na disponibilização de 4 milhões de reais pela construtora, em recursos não contabilizados. Vossa Excelência foi destinatário de alguma fração desses valores?”

A essa questão, Temer respondeu: “Não tenho a menor ciência do aporte desses recursos. Em razão deste fato, descabida a segunda parte da questão. Temer enviou suas respostas, por escrito, à Polícia Federal na última sexta-feira (17).

O presidente se irritou com algumas perguntas do delegado. Chegou a classificar de “pergunta ofensiva, não merece resposta”, uma indagação sobre se recebeu qualquer valor em espécie em 2014, contando com a “interposição” de José Yunes.

A Polícia Federal também questionou Temer a respeito de sua relação com João Batista Lima Filho e Yunes, amigos e ex-assessores do presidente, que chegaram a ser presos em março, na Operação Skala. Sobre Yunes, a PF pergunta se ele é pessoa de sua “máxima confiança”. Temer afirmou que conhece Yunes desde a faculdade de Direito do Largo São Francisco e que “a confiança é proporcional a esta longa amizade”.

“É interessante ver como os protagonistas do impeachment caíram em desgraça pouco depois”, destaca Mello Franco. “Temer vive um fim de governo melancólico. Cunha está preso em Curitiba. Aécio, que chegou perto de ser presidente, perdeu seu prestígio com as delações da JBS.”

Presidência

O candidato ao Palácio do Planalto pelo MDB, Henrique Meirelles, negou que a sua campanha esteja “escondendo” a participação dele no governo de Michel Temer, como ministro da Fazenda. Esse comentário foi feito durante entrevista à imprensa, quando um repórter questionou porque o nome do atual presidente da República nunca é citado nas atuais aparições de Meirelles.

Tal postura é diferente, por exemplo, de quando ele comenta a época em que comandou o BC (Banco Central), durante o governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010): nesse caso, o líder petista (líder nas pesquisas de intenções de voto em que o seu nome é mencionado como candidato) é sempre lembrado.

“O meu cargo na Fazenda é algo totalmente conhecido”, argumentou. Confrontando por jornalistas, entretanto, ele se confundiu: “E eu sai do ministério da Fazenda faz dois anos… desculpe… dois meses! É que a campanha está tão intensa que parecem dois anos”, sorriu. “A maioria nem sabe que eu fui o responsável no País pelo crescimento, naquele período.”

Fonte: O Sul

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *