ONU prevê oceanos com temperaturas mais altas e menos oxigênio

FONTE: O SUL

O Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC), criado pelas Nações Unidas (ONU), apresentou nesta quarta-feira (25) um relatório dedicado aos efeitos das alterações climáticas nos oceanos e nas massas de gelo permanentes da Terra. A devastação dos mares e das regiões frias devido às alterações climáticas é o grande problema apontado no relatório.

É urgente priorizar “ações oportunas, ambiciosas e coordenadas” de forma a enfrentar estas mudanças “sem precedentes e duradouras” nos oceanos e na criosfera – regiões cobertas por gelo e neve permanentes e que constituem 10% da superfície do planeta –, alerta o relatório. Durante este século, os oceanos poderão sofrer alterações como temperaturas mais altas, água mais ácida, menos oxigênio e condições alteradas de produção de recursos.

No documento, os cientistas advertem que o gelo de regiões como o Ártico, por exemplo, está derretendo a um ritmo nunca antes registado e, em consequência, o nível dos oceanos está elevando, pondo em risco a vida de mais de milhões de pessoas.

Este relatório destaca, ainda, os benefícios de uma adaptação “ambiciosa e eficaz para o desenvolvimento sustentável” e os “custos e riscos crescentes de uma ação adiada”. A temperatura global já “atingiu 1ºC acima do nível pré-industrial”, alertam os cientistas. Este aquecimento global deve-se às “emissões passadas e atuais de gases de efeito de estufa” e já há provas “esmagadoras de que isso pode provocar profundas consequências para os ecossistemas e as pessoas”.

Os cientistas do painel constataram que os oceanos estão aumentando a temperatura desde 1970, absorvendo “mais de 90% do calor em excesso no sistema climático”, com ondas de calor marinho duas vezes mais frequentes desde 1982. “Ao absorver mais dióxido de carbono, o oceano sofreu um aumento da acidez à superfície”, esclarece o documento, considerando muito provável que 20% a 30% do dióxido de carbono (CO2) emitido pela atividade humana desde 1980 foi parar no oceano e provocou uma perda de oxigênio desde a superfície marinha até aos mil metros de profundidade.

O problema é que o degelo e a diminuição permanente das massas geladas ameaça libertar ainda mais dióxido de carbono e, assim, acelerar ainda mais esta devastação dos oceanos e da criosfera. O IPCC diz que esta subida do nível médio global dos oceanos foi acentuada no período de 2006 a 2015 em relação ao último século e a um ritmo de 3,6mm por ano, atribuindo-a principalmente às massas de gelo e glaciares que derreteram. Na Antártida, as perdas de gelo “triplicaram no período entre 2007 e 2016 em relação ao período 1997-2006”. Por fim, o relatório conclui com “confiança alta” que “a causa dominante da subida do nível médio do mar desde 1970 tem origem humana”.

Os cientistas prevêem que a subida do nível dos oceanos atinja 15 milímetros por ano em 2100 e “vários centímetros por ano no século XXII”. No entanto, não descartam a possibilidade de a subida do mar ser uma realidade anual ainda neste século. O documento ainda afirma que uma “redução urgente das emissões de gases de efeito estufa” pode limitar e desacelerar as mudanças nos oceanos e na criosfera, assim como possivelmente preservar “os ecossistemas e os meios de subsistência” que dependem dos oceanos.

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