Primeiro professor indígena da Unicamp viaja 1,2 mil km para ensinar dialeto a alunos: ‘Experiência única’

FONTE G1//Selvino Kókáj Amaral decidiu usar apenas ônibus para viajar quase 1,2 mil km da comunidade Guarita (RS) até Campinas (SP) para fazer história. Sem que isso fosse uma pretensão, destaca em tom de prosa, ele ressalta ter apenas a vontade de retribuir com experiências e dedicação a oportunidade de ser o primeiro professor indígena em 50 anos de história da Unicamp.

“Está sendo uma experiência única. Que eu seja o primeiro de muitos”, explica o docente de 44 anos. Ele chegou à universidade por meio de um programa voltado para especialistas visitantes na graduação e, no Instituto de Estudos de Linguagem (IEL), ministra um curso extracurricular e atua em duas disciplinas com enfoque para o dialeto Kaingang, que aprendeu durante a infância.

“Somos o terceiro maior povo indígena do Brasil, tanto habitantes, quanto falantes. O Rio Grande do Sul concentra a maior parte, mas também há no Paraná, Santa Catarina e oeste de São Paulo”, afirma Amaral, que aprendeu português aos 12 anos. Segundo ele, a população de toda a comunidade gira em torno de 37,5 mil, dos quais cerca de 21 mil são falantes nativos.

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