Quando a violência no Facebook vai além da tela

FONTE: CORREIO DO POVO

Assédio, danos morais e físicos, até mesmo mortes: a violência no Facebook pode ter consequências dramáticas na vida real. Hannah Gittings sofreu uma experiência trágica em 25 de agosto quando compareceu a uma manifestação em Kenosha (Wisconsin) com seu companheiro, Anthony Huber, em apoio a Jacob Blake, um homem negro baleado dois dias antes por um policial branco.

Em pouco tempo, a manifestação pacífica foi confrontada por um grupo de extrema direita, o Kenosha Guard, que convocou no Facebook as pessoas a pegarem as armas para “proteger” a cidade. Apesar das centenas de denúncias, sua página não foi retirada.

Um dos participantes, um adolescente de 17 anos que portava um fuzil semiautomático, disparou contra um manifestante e o matou. Huber se atirou sobre o jovem para tirar a arma de suas mãos, mas morreu diante dos olhos de sua namorada.

“A página (Kenosha Guard) não só foi mantida, como foi julgada como não perigosa, apesar de os membros incitarem abertamente a violência dizendo que iriam disparar contra os negros e ‘encrenqueiros'”, disse emocionada Gittings, durante uma recente coletiva de imprensa organizada pela ONG Avaaz.

A mulher entrou com processos contra o Facebook, indignada com os comentários de seu CEO, Mark Zuckerberg, que chamou a não remoção da página de Kenosha Guard de um “error de funcionamento”.

Dos massacres dos rohingyas em Mianmar ao recente assassinato do professor Samuel Paty na França, as expressões de violência no Facebook se transformaram em dramas. “Trabalhamos sem descanso para melhorar nossa tecnologia e reforçar nossas medidas quando necessário, com o objetivo de eliminar os conteúdos perigosos de nossa plataforma”, afirmou um porta-voz do Facebook à AFP.

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