Universidade cria o primeiro curso superior de inteligência artificial no Brasil

FONTE: O SUL

A partir de março do ano que vem, a área de inteligência artificial terá o seu primeiro curso superior no Brasil. E o pioneirismo caberá à UFG (Universidade Federal de Goiás), que levou em conta as demandas dos vários segmentos que já recorrem a essa tecnologia, que até agora é tema somente de disciplinas oferecidas em atividades de especialização e módulos de curta duração.

O investimento inicial é de R$ 1 milhão, incluindo um supercomputador com capacidade de processamento equivalente a 2 mil máquinas convencionais e capaz de processar simultaneamente milhões de informações. Trata-se de algo fundamental na atualidade, considerando-se o aumento do volume de dados e a evolução das tecnologias.

Para a primeira turma, serão ofertadas 40 vagas através do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), que usa nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). As inscrições devem ser abertas neste verão.

“A corrida global pelo domínio da tecnologia justifica essa formação”, ressalta o professor Anderson Soares, do Instituto de Informática da UFG. Ele menciona que países como Estados Unidos e China já adotam políticas destinadas especificamente à promoção do desenvolvimento da inteligência artificial, conhecida internacionalmente pela sigla em inglês “AI” (artificial intelligence).

Uma pesquisa realizada pela empresa de tecnologia IBM indica que mais de 120 milhões de profissionais das 12 maiores economias do mundo terão que se recapacitar, nos próximos três anos, devido ao impacto da utilização da inteligência artificial no mercado de trabalho.

No Brasil, a estimativa é que 7,2 milhões de trabalhadores vão precisar se atualizar para acompanhar as demandas dos vários setores que já usam inteligência artificial. O objetivo é possibilitar que máquinas identifiquem e aprendam com padrões, sem a interferência humana. A tecnologia é empregada para desenvolver soluções e aprimorar processos em administração, marketing, saúde e segurança, por exemplo.

Curso

Na UFG, o curso terá tempo mínimo de quatro anos. Nos dois primeiros, a grade curricular prevê formação sólida em computação. Nos dois últimos, as aulas terão conteúdos específicos, e os alunos deverão desenvolver projetos como chatbots, robôs que interagem com os internautas, ou sistemas de automação de tarefas, como agendamento de exames médicos.

O curso terá um viés empreendedor. O objetivo é ensinar os alunos sobre as diferentes possibilidades da tecnologia na área de negócios. “Os alunos serão capazes de construir soluções artificiais para criar projetos inovadores que potencializem a competitividade das empresas”, afirma Soares.

Ele aponta que o novo curso acompanha um movimento mundial da área acadêmica. A americana Carnegie Mellon, por exemplo, criou bacharelado em inteligência artificial em 2018. A graduação exigirá que os alunos tenham conhecimento sólido em matemática e estatística, segundo Vivaldo José Breternitz, professor da faculdade de computação e informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Ele diz que a taxa de evasão dos cursos desse conteúdo é alta, o que pode ser oneroso para as faculdades particulares. Hoje, a Mackenzie oferece pós-graduação na área. Na PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, a solução encontrada foi ampliar o conteúdo.

A universidade terá, a partir do primeiro semestre de 2020, curso de graduação em Ciência de Dados e Inteligência Artificial, com duração mínima de 3,5 anos. Conforme o professor David Lemes, além de desenvolver algoritmos e aplicações inteligentes, os alunos vão aprender também a extrair, estruturar e analisar grande quantidade de dados.

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